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Publicado em 24/11/2025, às 09h20 Reprodução/Pexels Marina Gonçalves
Há séculos, aprendemos que Pedro Álvares Cabral e sua frota chegaram ao Brasilem Porto Seguro, na Bahia, em abril de 1500, conforme relatado na carta de Pero Vaz de Caminha.
No entanto, um estudo recente, publicado no Journal of Navigation da Universidade de Cambridge, aponta outra possibilidade. Segundo o portal O Tempo, os pesquisadores defendem que os portugueses teriam desembarcado primeiro na costa do Rio Grande do Norte.
A pesquisa, conduzida pelos físicos Carlos Chesman (UFRN) e Carlos Furtado (UFPB), analisou a carta de Caminha e cruzou os dados com correntes marítimas e ventos da época.
Na carta de 1500, Caminha relata ao rei D. Manuel I a chegada à “terra nova” com a expedição de Pedro Álvares Cabral, destacando um "grande monte, mui alto e redondo", que recebeu o nome de Monte Pascoal, e depois ancorou "à boca de um rio".
Com o auxílio de softwares e trabalho de campo, os pesquisadores concluíram que o monte citado por Caminha seria o Serra Verde, em João Câmara, e o rio, o Punaú, que corre para a praia de Zumbi, em Rio do Fogo, a 72 km de Natal.
“Pelas descrições da carta, eles percorreram cerca de 4.000 km saindo de Cabo Verde. Essa distância corresponde a rota que traçamos, que considera as correntes e os ventos. Também corresponde a distância até Porto Seguro, mas se a rota for uma linha reta, o que é improvável”, destaca Chesman.
Segundo os pesquisadores, o desembarque do dia seguinte à chegada, depois do descanso da frota, teria sido na região da praia do Marco, entre os municípios de São Miguel do Gostoso e Pedra Grande.
O nome da região vem de um marco português de 1501, e desde o século XX estudiosos potiguares, como Luís da Câmara Cascudo, sugerem que os portugueses teriam desembarcado primeiro ali. Para Chesman, essa foi a motivação da pesquisa.
Ainda de acordo com O Tempo, a carta de Caminha indica Porto Seguro como desembarque dos portugueses, e outras pesquisas reforçam a Bahia. Em 1975, o almirante Max Justo Guedes refez a viagem de Cabral e estudou ventos, correntes e os barcos da frota.
Ana Hutz, da PUC-SP, ressalta que a pesquisa levou em conta apenas a carta, sem incluir análises anteriores. “A ideia da chegada a Porto Seguro tem base em cartografias e outros estudos, que também refizeram essa rota. Esses estudos não são citados pelos autores”, diz.
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