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Publicado em 12/11/2025, às 15h48 Reprodução/ Unsplash Nathalia Quiereguini
Uma pequena abelha australiana está dando o que falar no mundo da ciência, segundo matéria da Super Interessante.
Batizada de Megachile lucifer, a espécie foi descoberta por acaso durante um estudo sobre uma flor rara, a Marianthus aquilonaris, na região de Serra de Bremer, na Austrália Ocidental.
O nome “Lúcifer” veio de uma coincidência curiosa: enquanto descrevia o inseto, a bióloga Kit Prendergast, da Universidade Curtin, assistia à série Lúcifer, da Netflix.
Mas o que realmente chamou a atenção foi a aparência da fêmea. Ela possui pequenos chifres triangulares no rosto, algo raro e inusitado entre as abelhas.
Cada chifre mede menos de um milímetro, mas dá à espécie um visual “diabólico” e marcante, o suficiente para inspirar o nome.
O registro da Megachile lucifer é o primeiro em mais de duas décadas dentro desse grupo de abelhas. O estudo, publicado no Journal of Hymenoptera Research, também revelou que o macho da espécie não tem chifres e possui uma coloração mais clara na cauda.
Para confirmar que ambos pertenciam à mesma espécie, os pesquisadores usaram o DNA barcoding, técnica que compara trechos específicos do material genético com bancos de dados globais.
O resultado confirmou que se tratava de uma espécie até então desconhecida.
O mais preocupante é que a abelha só foi observada em uma pequena área, em 2019, e nunca mais vista em novas expedições, realizadas em 2021 e 2024.
Isso coloca a espécie na lista das potencialmente ameaçadas, especialmente por viver em uma região fortemente impactada pela mineração, queimadas e mudanças climáticas.
Para Prendergast, a descoberta da “abelha Lúcifer” é um lembrete de que ainda sabemos pouco sobre os polinizadores nativos e de como eles sustentam ecossistemas inteiros.
“Podemos estar perdendo espécies antes mesmo de sabermos que elas existem”, alertou a pesquisadora.
Mais do que um achado curioso, a abelha de “chifres diabólicos” é um símbolo da urgência em olhar para os menores habitantes do planeta, antes que desapareçam em silêncio.
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