Cidades
Publicado em 21/10/2026, às 08h35 Cícero Oliveira/UFRN Lavínia Manso
O Rio Grande do Norte registrou aumento de 29,2% na incidência de sífilis congênita entre 2015 e 2025, com mais de 5,5 mil casos acumulados no período, segundo o Boletim Epidemiológico Sífilis 2026. A infecção chega ao bebê durante a gravidez ou o parto quando a gestante tem sífilis e não recebe tratamento adequado, o que reforça a necessidade de diagnóstico e acompanhamento no pré-natal.
Mesmo quando o recém-nascido parece saudável, a doença pode estar presente. A infectologista Gisele Borba, do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), explica que a ausência de sinais visíveis não elimina a possibilidade de infecção. Se os exames confirmarem o diagnóstico, o tratamento deve começar rapidamente para reduzir o risco de sequelas.
Entre as consequências estão aborto espontâneo, morte fetal, nascimento prematuro, baixo peso e morte neonatal. A doença também pode provocar lesões na pele, alterações nos ossos e danos à visão, à audição e ao sistema nervoso.
Segundo a especialista, a bactéria pode atravessar a placenta em qualquer fase da gravidez. Por isso, identificar e tratar a infecção durante a gestação é uma das principais formas de impedir a transmissão para o bebê.
A realização dos exames durante o acompanhamento da gravidez permite detectar a sífilis e iniciar o atendimento. O tratamento adequado da gestante é feito com penicilina benzatina, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), conforme o estágio da infecção e a avaliação médica.
Nos bebês, a escolha do esquema terapêutico depende da avaliação clínica e dos exames, além do histórico de tratamento da mãe. O atendimento da sífilis congênita pode exigir outras apresentações da penicilina, como a cristalina ou a procaína.
Gisele também orienta investigar e tratar as parcerias sexuais para evitar novas infecções. O uso de preservativos, a testagem regular e o início precoce do tratamento ajudam a interromper a circulação da bactéria.
Em 2025, as maiores taxas de detecção de sífilis em gestantes no estado foram registradas em Jundiá, Lagoa de Pedras, Passagem, Afonso Bezerra, Macau, Pedro Avelino, Equador, Bom Jesus, Japi, Jaçanã, Santa Maria e Doutor Severiano.
Na fase primária da sífilis, o sinal mais característico é uma ferida geralmente única e indolor, conhecida como cancro duro. Ela pode surgir nos órgãos genitais, no ânus ou na boca e desaparecer mesmo sem tratamento, o que não significa que a infecção tenha sido eliminada.
Já na fase secundária, podem aparecer manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Febre, dor de cabeça, mal-estar e queda de cabelo também estão entre as manifestações, que podem ser confundidas com sintomas de dengue e outras arboviroses.
Sem o atendimento adequado, a doença pode evoluir, anos depois, para a fase terciária. Nesse estágio, pode comprometer órgãos e estruturas como o coração, os vasos sanguíneos e o sistema nervoso.
Com informações da Tribuna do Norte