Política

Ministério pede investigação de racismo após vídeo de homem negro acorrentado em ato pró-Flávio

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O Ministério da Igualdade Racial solicita apuração sobre episódio de racismo durante manifestação em apoio ao senador Flávio Bolsonaro  |   BNews RN - Divulgação Reprodução
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 27/10/2026, às 07h19



O Ministério da Igualdade Racial solicitou neste domingo (25), por meio de ofícios enviados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, a investigação de um episódio de racismo registrado em um ato de apoio ao senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). A iniciativa ocorreu após a circulação de um vídeo que mostra um homem branco conduzindo um homem negro acorrentado durante a manifestação na capital fluminense.

As imagens foram gravadas no sábado (24), na Praça do Ó, localizada na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Na cena, o homem branco se dirige ao homem negro usando as expressões “Luladrão, Satanás e Capiroto”.

Envolvido apresenta versão para a encenação

Identificado como Carlos Martins, o homem que aparece segurando a corrente se pronunciou nas redes sociais. Ele afirmou que a encenação tinha caráter de sátira política e negou qualquer intenção racista.

Segundo Carlos, a proposta era representar Lula como Satanás e mostrar Bolsonaro prendendo o adversário político. Ao explicar a cena, ele afirmou considerar injusta a prisão de Bolsonaro.

Carlos também disse que utiliza há anos, em suas publicações nas redes sociais, referências a Satanás e capiroto para se dirigir a Lula. Na versão apresentada por ele, a manifestação reproduziu esse tipo de crítica ao presidente.

Ao reforçar sua justificativa, Carlos sustentou que a encenação se limitou a uma sátira e voltou a negar que tivesse motivação racista.

Ministério associa cena à escravidão

Em nota sobre o episódio, o Ministério da Igualdade Racial classificou a situação como inaceitável. A pasta destacou que a imagem de um homem negro acorrentado reproduz práticas associadas ao período da escravidão no Brasil.

A deputada federal eleita Anielle Franco, do Partido dos Trabalhadores (PT), pelo Rio de Janeiro, também anunciou que procuraria o ministério para cobrar providências sobre o caso.

Anielle mencionou ainda outro episódio registrado em uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro. Em Belo Horizonte, uma mulher rasgou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante o ato.

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