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Cidades

Setor industrial prevê déficit recorde e aumento de importações em 2026

Setor industrial prevê déficit recorde e aumento de importações em 2026  |  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Publicado em 16/05/2026, às 20h54   Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil   Mayane Bezerra

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A indústria de transformação brasileira avalia que perderá ainda mais espaço para produtos importados no mercado interno ao longo de 2026, principalmente para mercadorias vindas da China. O alerta foi feito pela Coalizão Indústria, grupo que reúne entidades de diversos segmentos industriais do país.

Segundo a entidade, a previsão é de que o Brasil registre um déficit recorde de US$ 146,4 bilhões na balança comercial de produtos manufaturados no próximo ano.

De acordo com representantes do setor, o avanço das importações ocorre em um cenário de baixa competitividade da indústria nacional, marcado por juros elevados, custos estruturais da economia brasileira e aumento da entrada de produtos estrangeiros.

A coalizão também relaciona a pressão sobre empresas nacionais à derrubada do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”.

Setores apontam concorrência desigual

A Coalizão Indústria reúne representantes de áreas como aço, automotivo, alimentos, brinquedos, calçados, construção civil, máquinas, têxtil, plástico, farmacêutico e eletroeletrônico. Juntos, os segmentos representam cerca de 44,8% do Produto Interno Bruto industrial brasileiro.

Durante coletiva realizada em São Paulo, as entidades afirmaram que o problema não está na importação em si, mas na concorrência com produtos subsidiados ou produzidos com custos menores em outros países.

O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, afirmou que a indústria brasileira busca igualdade nas condições de competitividade.

Já Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão Indústria e presidente executivo do Instituto Aço Brasil, declarou que cerca de um terço do mercado brasileiro de aço foi ocupado por importações em 2025.

Projeções para 2026

As projeções da entidade indicam crescimento industrial abaixo de 2% em 2026, enquanto as importações devem avançar cerca de 6%.

Para Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o mercado interno brasileiro está sendo ocupado por produtos estrangeiros em ritmo mais acelerado do que o crescimento da produção nacional.

As entidades defendem o fortalecimento de mecanismos de defesa comercial, como medidas antidumping e salvaguardas, além da redução dos juros e de ações voltadas à diminuição do chamado “custo Brasil”, relacionado a entraves tributários, burocráticos e logísticos.

Apesar do cenário considerado preocupante, a Coalizão Indústria informou que os setores representados mantêm previsão de investimentos de aproximadamente R$ 1,1 trilhão entre 2026 e 2030.

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