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Publicado em 20/07/2026, às 17h42 Agência Brasil/Arquivo Jussier Lucas
O Rio Grande do Norte registrou o maior crescimento proporcional de casos de infecção pelo HIV entre todos os estados brasileiros no período pós-pandemia. Entre 2020 e 2024, o número de notificações aumentou 56,3% no estado, índice quase três vezes superior ao crescimento nacional, que foi de 19%, segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde.
Além do avanço nos registros, Natal aparece entre as capitais brasileiras com as maiores taxas de detecção da infecção pelo HIV. Em 2024, a capital potiguar registrou 46,9 casos por 100 mil habitantes, ocupando a quarta colocação nacional, atrás apenas de Florianópolis (49,4), Manaus (49,2) e Boa Vista (47,6).
Os dados reforçam um cenário de alerta para a saúde pública no estado. O levantamento aponta que, entre 1980 e setembro de 2025, o Rio Grande do Norte contabilizou 18.664 pessoas vivendo com HIV ou aids, com crescimento contínuo das notificações nos últimos anos.
O boletim mostra que o avanço da infecção pelo HIV no Rio Grande do Norte ocorreu de forma mais acelerada do que na maior parte do país. Somente entre 2020 e 2024, período marcado pela retomada dos atendimentos após a pandemia da Covid-19, o estado apresentou o maior crescimento proporcional entre todas as unidades da Federação.
Em números absolutos, o RN registrou 873 casos em 2020, passando para 1.045 em 2021, 1.151 em 2022, 1.203 em 2023 e 1.229 notificações em 2024. Até setembro de 2025, já haviam sido contabilizados outros 874 registros.
Na capital potiguar, a taxa de detecção de 46,9 casos por 100 mil habitantes coloca Natal entre as cidades com maior incidência da infecção no país. O ranking é liderado por Florianópolis, seguida por Manaus, Boa Vista, Natal, Belém, Porto Alegre, São Luís, Recife, Rio de Janeiro e Palmas.
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O boletim do Ministério da Saúde também aponta que os homens continuam representando a maior parte das notificações no Brasil. Entre 1991 e setembro de 2025, foram registrados mais de 450 mil casos entre homens, contra cerca de 232 mil entre mulheres.
Em 2024, homens de 20 a 29 anos responderam por 44,7% das novas infecções masculinas. Entre as mulheres, mais de 80% dos casos ocorreram na faixa etária de 15 a 49 anos.
Outro dado destacado pelo levantamento é a mudança no perfil racial da epidemia. Pessoas negras, considerando pretos e pardos, passaram a representar quase 60% das notificações registradas em 2024.
Enquanto a taxa de mortalidade por aids caiu 37% no Brasil entre 2014 e 2024, o Rio Grande do Norte seguiu na direção oposta. O estado registrou aumento de 37,5% na mortalidade relacionada à doença durante o mesmo período, figurando entre as poucas unidades da Federação que apresentaram crescimento nesse indicador.
Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação da testagem, o diagnóstico precoce, o acesso ao tratamento antirretroviral e o fortalecimento da vigilância epidemiológica são fundamentais para reduzir novas infecções e evitar mortes relacionadas ao HIV.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente métodos de prevenção e tratamento contra o HIV. A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é indicada para pessoas com maior risco de exposição ao vírus e consiste no uso diário de medicamentos antirretrovirais para prevenir a infecção.
Já a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) deve ser iniciada em até 72 horas após uma situação de risco e funciona como medida de emergência para impedir a infecção.
Atualmente, mais de 770 mil pessoas utilizam o antirretroviral dolutegravir pelo SUS. O medicamento passou a ser produzido no Brasil após acordo de transferência de tecnologia entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a empresa responsável pelo desenvolvimento do fármaco, fortalecendo o abastecimento da rede pública de saúde.