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Publicado em 24/06/2026, às 11h38 freepick Redação
A disputa pelo mercado dos medicamentos à base de semaglutida no Brasil está prestes a ganhar mais um capítulo. A farmacêutica Hypera Pharma deu um passo importante para colocar nas farmácias o Semavy, uma nova caneta injetável destinada inicialmente ao tratamento do diabetes tipo 2.
O nome do produto apareceu oficialmente nos registros da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa considerada uma das últimas antes da obtenção do registro sanitário junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Com a aceitação do protocolo regulatório, a expectativa do setor é que a análise final para comercialização do medicamento possa ser concluída nos próximos meses.
A Hypera pretende lançar o Semavy para pacientes com diabetes tipo 2, mas também deve solicitar posteriormente autorização para indicação voltada ao controle do peso corporal, segmento que vem registrando forte crescimento no país.
A companhia é uma das maiores farmacêuticas brasileiras e atua em diversas áreas, incluindo medicamentos de venda livre, vitaminas e suplementos alimentares.
Concorrência aumenta após fim da patente
O avanço de novos produtos ocorre após o encerramento da proteção patentária da semaglutida no Brasil.
O primeiro medicamento nacional aprovado após essa mudança foi o Ozivy, desenvolvido pela farmacêutica EMS. O produto recebeu autorização da Anvisa em maio e começou a chegar às farmácias brasileiras neste mês.
Com a entrada de novas empresas no segmento, especialistas avaliam que a concorrência pode ampliar a oferta e contribuir para a redução gradual dos preços praticados no mercado.
Medicamentos não são classificados como genéricos
Apesar de utilizarem o mesmo princípio ativo presente em medicamentos já conhecidos pelos consumidores, os novos produtos nacionais não foram enquadrados como genéricos.
Tanto o Ozivy quanto o Semavy receberam da Anvisa a classificação de medicamentos novos, categoria regulatória que segue critérios específicos de avaliação.
A definição diferencia esses produtos dos medicamentos genéricos e similares tradicionalmente encontrados nas farmácias.
Mercado movimenta bilhões de reais
A semaglutida tornou-se um dos medicamentos mais procurados dos últimos anos.
Estimativas do setor apontam que o mercado brasileiro movimenta cerca de R$ 5 bilhões anuais apenas com produtos registrados oficialmente. O valor não inclui medicamentos manipulados nem produtos comercializados de forma irregular.
A substância integra a classe dos agonistas de GLP-1, medicamentos que auxiliam no controle da glicemia e atuam nos mecanismos relacionados à saciedade.
Ozempic e Mounjaro lideram segmento
Atualmente, os produtos mais conhecidos pelos consumidores brasileiros são o Ozempic, desenvolvido pela Novo Nordisk, e o Mounjaro, fabricado pela Eli Lilly.
Após a perda da patente, a Novo Nordisk ampliou sua estratégia no país por meio de uma parceria com a Eurofarma, responsável pelo lançamento de novas marcas destinadas ao tratamento do diabetes e ao controle do peso.
Governo acompanha expansão do setor
A chegada de novos medicamentos também é acompanhada pelo Governo Federal, que avalia a possibilidade futura de incorporação desses tratamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Para que isso ocorra, os produtos precisam passar por análises da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar eficácia, benefícios clínicos e impacto financeiro para a rede pública.
O que se sabe sobre o Semavy
▪ Fabricante: Hypera Pharma;
▪ Princípio ativo: semaglutida;
▪ Indicação inicial: diabetes tipo 2;
▪ Situação atual: aguarda registro sanitário da Anvisa;
▪ Categoria regulatória: medicamento novo;
▪ Possível uso futuro: tratamento da obesidade e controle de peso;
▪ Mercado da semaglutida no Brasil movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano.
Ozivy foi a primeira “caneta emagrecedora” brasileira
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou no último mês de maio o primeiro medicamento brasileiro à base de semaglutida sintética semelhante ao Ozempic.
Batizada de Ozivy, a nova caneta foi desenvolvida pela EMS e passou pelo processo de avaliação técnica da agência reguladora antes de receber autorização para comercialização no país.
O produto utiliza o mesmo princípio ativo presente no Ozempic, cuja patente perdeu exclusividade no Brasil em março deste ano.
A farmacêutica brasileira havia protocolado o pedido de aprovação junto à Anvisa ainda em 2023.
Apesar de utilizar o mesmo princípio ativo do Ozempic, a Anvisa informou que o Ozivy não será classificado oficialmente como medicamento genérico.
Segundo a agência, a legislação brasileira não prevê a categoria de genéricos para medicamentos biológicos.
Por isso, o produto foi enquadrado tecnicamente como um “medicamento novo”, descrito pela reguladora como um análogo sintético de produto biológico.