Cidades
Publicado em 06/04/2026, às 10h26 Leila Salim Leal Elí Bernardo
O domingo de Páscoa (5) no Líbano foi marcado por uma forte escalada da violência com a intensificação de ataques israelenses que atingiram a capital Beirute, e regiões do sul do país.
Os relatos registrados por volta das 23h20 (horário local de Beirute), são de ao menos oito ataques aéreos realizados na região sul da capital.
Segundo uma ex-professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Leila Salim, que mora no país, um dos bombardeios mais violentos atingiu o bairro de Jené, localizado na fronteira entre o sul de Beirute e a área suburbana de Dahieh, região frequentemente alvo de operações militares.
Esse ataque chamou atenção por atingir uma área residencial densamente povoada que não estava incluída nas ordens de evacuação emitidas anteriormente pelo exército do país.
Ainda segundo informações preliminares, quatro pessoas morreram e outras 39 ficaram feridas. O cenário é de destruição total, com prédios inteiros reduzidos a escombros, moradores em pânico e vítimas sendo resgatadas às pressas, muitas vezes enroladas em cobertores.
Ainda segundo relatos, essa região do Líbano abriga um grande número de migrantes africanos, o que aumenta a preocupação com o impacto humanitário da ofensiva.
No sul do Líbano, a situação também é crítica. Durante a madrugada de sábado para domingo, um ataque em um distrito de Sídon, a maior cidade da região, resultou na morte de uma família inteira. As vítimas — pai, mãe, três filhos e uma neta de apenas quatro anos — estavam abrigadas em uma casa abandonada após terem sido deslocadas à força de outro vilarejo", informou a Leila Salim.
Ainda segundo Leila, ofensiva militar israelensena região segue em expansão, com o objetivo declarado de avançar e ocupar o sul do território libanês. Além de Sídon, diversos pontos da região foram alvo de bombardeios ao longo do fim de semana.
A tensão também aumentou no leste do país, especialmente no Vale do Bekaa. Na noite de sábado, moradores da fronteira entre o Líbano e a Síria — uma das rotas mais movimentadas entre Beirute e Damasco — receberam ordens de evacuação imediata por meio das redes sociais. O comunicado alertava que quem permanecesse na área poderia ser considerado alvo legítimo",descreveu a jornalista.
"A região viveu horas de medo, correria e deslocamento forçado de civis", disse Leila.
A previsão é que a situação continue se agravando nas próximas horas, diante da intensificação das operações militares e do clima de instabilidade crescente no país.