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A guerra no Oriente Médio, que já dura 19 dias com a ofensiva dos EUA e Israel contra o Irã, transformou a vida de cerca de 22 mil brasileiros no Líbano em um drama de sobrevivência, com relatos de terror e abandono.
O conflito já resultou na expulsão de mais de 1 milhão de pessoas de suas casas, com mil mortos e 2,5 mil feridos, enquanto a estratégia militar se assemelha à utilizada em Gaza, devastando aldeias e colheitas.
Os brasileiros que permanecem no Líbano esperam por corredores humanitários ou o fim das hostilidades, enfrentando a difícil decisão entre a resiliência de permanecer em sua terra ancestral e o medo de não ter para onde voltar.
A escalada da guerra no Oriente Médio, que já dura 19 dias após a ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, transformou a vida da maior comunidade brasileira na região em um drama de sobrevivência. Com cerca de 22 mil brasileiros residindo no Líbano, os relatos que chegam de Beirute e do sul do país são de terror, frio e uma profunda sensação de abandono.
O libanês naturalizado brasileiro Hussein Melhem, de 45 anos, é um dos rostos dessa tragédia. Dono de uma padaria em Tiro, ele viu sua casa ser bombardeada e foi forçado a fugir com a esposa e as três filhas apenas com a roupa do corpo.
"Parece um terremoto. Estamos gastando tudo o que temos e não sei o que farei daqui a dez dias, quando vencer o prazo da casa emprestada onde estamos", relatou Hussein à Agência Brasil.
O cenário descrito por quem está no front é desolador. Aly Bawab, de 58 anos, que reside em Manaus (AM) e estava no Líbano visitando a família, descreve a sensação física do impacto dos mísseis. "O corpo sente a vibração da explosão. O corpo treme sem você ter controle", conta ele, que agora está em Beirute, onde os bombardeios são diários e os aviões militares rompem a barreira do som constantemente para aterrorizar a população.
Em menos de três semanas, o conflito já expulsou mais de 1 milhão de pessoas de suas casas no Líbano, deixando um rastro de mil mortos e 2,5 mil feridos. A historiadora Beatriz Bissio, da UFRJ, aponta que a estratégia utilizada no sul do Líbano assemelha-se à de Gaza, com aldeias inteiras arrasadas e colheitas paralisadas.
Enquanto o Hezbollah e as Forças de Defesa de Israel (FDI) trocam ataques, com mais de 2 mil alvos atingidos por Israel desde o início de março, os brasileiros que permanecem no país aguardam por corredores humanitários ou o fim das hostilidades. Para muitos, a resiliência de não abandonar a terra ancestral se mistura ao medo paralisante de não ter para onde voltar.
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