Cidades
Publicado em 29/01/2026, às 09h43 Reprodução/Freepik Malu Machado
Em uma decisão histórica tomada nesta quarta-feira (28), a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o novo marco regulatório para a cannabis medicinal no país.
A principal mudança é a autorização para o cultivo da planta em solo brasileiro por pessoas jurídicas (empresas, associações de pacientes e instituições de pesquisa), além da permissão para que farmácias de manipulação comercializem produtos à base de canabidiol.
A medida não libera o plantio para indivíduos (uso doméstico) nem o uso recreativo. O foco é estritamente terapêutico e farmacológico, visando atender mais de 800 mil brasileiros que já fazem uso dessas substâncias para tratar doenças debilitantes e crônicas.
Até então, embora a venda de produtos derivados fosse permitida, o plantio era proibido, obrigando indústrias e associações a importar insumos a preços elevados. Com a produção nacional, especialistas preveem uma queda drástica nos preços.
"Os derivados vendidos em farmácia hoje têm valores extorsivos. Com a mudança, isso deve baratear muito", afirma o pesquisador Dartiu Xavier da Silveira, da Universidade Federal de São Paulo.
A Anvisa estabeleceu quatro eixos principais nas novas resoluções:
Para garantir a segurança, um comitê interministerial (Saúde, Justiça e Agricultura) será criado para coordenar a fiscalização de todas as etapas de produção. As novas regras entram em vigor seis meses após a publicação, cumprindo o prazo estabelecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia determinado a regulamentação até 31 de março.
O setor de cannabis medicinal no Brasil já movimenta valores expressivos. Em 2025, o faturamento atingiu R$ 971 milhões, uma alta de 8,4% em relação ao ano anterior.
Veja dados da adesão brasileira:
Atualmente, apenas cinco estados brasileiros ainda não possuem leis de fornecimento público de cannabis medicinal, reforçando a tendência de democratização do acesso via SUS.