Cidades
Publicado em 28/09/2026, às 10h06 Divulgação Lavínia Manso
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de perda de visão no Brasil envolvendo pacientes que utilizavam Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, medicamentos indicados para diabetes e obesidade. Os registros são considerados suspeitos e não confirmam que os tratamentos tenham causado as alterações visuais.
Do total, cinco notificações mencionam Ozempic, três citam Wegovy e duas envolvem Wegovy FlexTouch. Há ainda dois relatos relacionados ao Rybelsus e um ao Mounjaro. A agência ressalta que a presença de um medicamento e de uma doença na mesma notificação não demonstra, por si só, uma relação de causa e efeito.
Os produtos atuam em mecanismos relacionados ao peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1). Enquanto os relatos seguem em acompanhamento, a agência orienta que pacientes com perda repentina de visão, visão turva ou piora rápida do quadro procurem atendimento médico.
Leia também:
Uma das condições discutidas nesse contexto é a neuropatia óptica isquêmica anterior (Noia), provocada pela redução do fluxo sanguíneo para uma região do nervo óptico. Esse nervo transmite informações visuais dos olhos ao cérebro, e seu comprometimento pode causar perda repentina da visão, geralmente em um olho.
A condição é rara e também pode estar associada a outros fatores, como o diabetes, que aumenta o risco de problemas nos vasos sanguíneos. Essa possibilidade precisa ser considerada na avaliação dos pacientes e na investigação dos registros.
Em junho de 2025, a agência determinou a inclusão da neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica nas bulas dos medicamentos com semaglutida como reação adversa “muito rara”. A medida abrange Ozempic, Rybelsus e Wegovy. Caso essa condição seja confirmada, a orientação da agência é interromper o tratamento com semaglutida.
Pesquisas já examinaram a possível associação entre a semaglutida e a alteração visual. Um dos estudos identificou aumento do risco entre usuários da substância, mas os próprios autores apontaram limitações para estabelecer uma relação de causa e efeito. Os resultados citados não permitem atribuir automaticamente ao medicamento os casos notificados.
A Novo Nordisk, responsável por Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirma que suas análises de estudos clínicos não identificaram aumento da ocorrência do problema entre usuários de semaglutida. A empresa também sustenta que a relação entre benefícios e riscos dos medicamentos permanece favorável.
Já a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que acompanha os dados de segurança e mantém contato com as autoridades reguladoras. A agência brasileira continua monitorando as notificações.
Com informações do g1.