Cidades
Publicado em 06/07/2026, às 18h36 Foto 01: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi / Foto 02: Internet Jussier Lucas
Cerca de 100 crianças e adolescentes do assentamento Luiz Beltrame, localizado no conjunto Parque dos Coqueiros, na Zona Norte de Natal, foram diagnosticados com tungíase, doença popularmente conhecida como bicho-de-pé. A situação levou à realização de uma ação emergencial de atendimento médico no último sábado (4), reunindo profissionais de saúde, voluntários e entidades sociais.
A tungíase é causada pela pulga Tunga penetrans, que penetra na pele, principalmente dos pés, provocando dor, coceira intensa, inchaço e, em casos mais graves, infecções. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para complicações sérias.
O surto foi identificado por voluntários que atuam na comunidade e motivou uma edição extraordinária do projeto Pediatria Itinerante, voltada exclusivamente para o atendimento dos moradores afetados. Ao todo, 11 médicos participaram da iniciativa, realizada em uma escola municipal da região.
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De acordo com a coordenadora do projeto, Beatriz Jucá, algumas crianças apresentavam entre 30 e 40 lesões causadas pelo parasita, o que exigiu uma resposta rápida das equipes de saúde. Após avaliação clínica, os pacientes receberam medicação e, nos casos mais graves, foram encaminhados para acompanhamento especializado.
Moradores relatam que a tungíase é um problema recorrente no assentamento. A dona de casa Isabel Cristina afirmou que já contraiu a doença e que atualmente três netos estão infectados. Segundo ela, as condições do local favorecem a proliferação do parasita, tornando frequentes os casos entre as crianças.
A moradora Simone dos Santos também atribuiu o aumento das infecções às condições ambientais da comunidade, especialmente durante o período chuvoso, quando há formação de poças d'água. Ela relatou que já houve casos de crianças que precisaram passar por cirurgia em decorrência das infecções.
O pediatra Francisco Mikussi alertou que a tungíase não deve ser encarada como um problema simples. Segundo ele, as lesões podem favorecer infecções bacterianas, aumentar o risco de tétano em crianças com vacinação incompleta e, em situações mais graves, levar à necessidade de internação hospitalar.
Durante a ação, além dos atendimentos médicos, as famílias receberam orientações sobre prevenção, higiene e cuidados com a doença. As crianças também ganharam sandálias para reduzir o risco de novas infecções, já que andar descalço em áreas contaminadas é um dos principais fatores de transmissão.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal informou que realiza periodicamente ações no assentamento Luiz Beltrame. A pasta afirmou que não havia sido comunicada previamente sobre o surto, mas informou que equipes do Distrito Sanitário Norte II já têm uma nova ação programada para este mês na comunidade.