Zé Galado
Um famoso empresário potiguar, acostumado a navegar sempre no barco de Álvaro Dias, resolveu abraçar a campanha de Allyson de repente. Conhecido nos bastidores como “moska de padaria”, o dito-cujo agora zanza pelas reuniões políticas, tentando garantir um lugar à mesa. Agora, Zé Galado quer saber se a mudança de rota vai render algum banquete ou se ele vai acabar só rodeando o osso.
O MDB está mais dividido que conta de bar depois de uma rodada de cerveja. No segundo turno presidencial, 17 diretórios estaduais fecharam com Flávio Bolsonaro, enquanto dez declararam apoio a Lula. No Rio Grande do Norte, o partido de Walter Alves também escolheu seu lado: o de Flávio. Mas esqueceram de combinar com Henrique Eduardo Alves!
O ex-presidente da Câmara não gostou nadinha da decisão e foi às redes sociais lembrar que o MDB sempre esteve com Lula e até indicou o vice de Fátima Bezerra a pedido do presidente. Chamou o apoio a Flávio de “vergonha para o Brasil” e apelou ao presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, pela “coerência, história e democracia”.
Pelo visto, o velho MDB continua especialista em uma arte: caber em vários palanques sem precisar trocar de partido. O problema é que, dessa vez, até os caciques estão brigando para decidir quem segura o mastro!
Henrique Alves fez questão de lembrar que tem 52 anos de MDB e que, em nome dessa história, queria ver o partido potiguar novamente com Lula. Já Walter Alves, que preside a legenda no RN e ocupa a vice-governadoria, seguiu por outro caminho ao apoiar Flávio Bolsonaro.
A pergunta que fica é: quando um partido passa mais tempo discutindo quem deve apoiar do que explicando por que apoia, o eleitor vota na legenda ou precisa consultar a árvore genealógica dos caciques?
No MDB potiguar, a fidelidade parece depender do sobrenome, da conjuntura e, quem sabe, da posição de cada um na fotografia. Henrique invoca a história; Walter banca a decisão partidária. E o eleitor, coitado, fica tentando descobrir se o partido tem lado ou se cada liderança ganhou o direito de ter o seu.
Zé Galado já entendeu: no MDB, a sigla é uma só, mas o palanque virou condomínio — cada cacique escolhe a varanda de onde quer acenar!
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