Política
por José Nilton Jr.
Publicado em 21/10/2025, às 13h46
Nesta terça-feira (21), o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou favorável à condenação de todos os réus ligados ao núcleo de desinformação eleitoral envolvido no caso da conspiração golpista. Com a decisão, o placar está 2 a 0 a favor da punição dos integrantes do grupo, após o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes.
O ministro Zanin acompanhou de maneira integral o entendimento de Moraes e defendeu a condenação de seis acusados do chamado “núcleo 4” por cinco crimes que lhes foram atribuídos: formação de quadrilha armada, tentativa de derrubar violentamente o Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano agravado por violência e ameaça grave e dano a patrimônio protegido.
No caso específico de Carlos Rocha, que é presidente do Instituto Voto Legal (IVL), o ministro votou pela condenação apenas por formação de quadrilha e tentativa de derrubar o Estado Democrático de Direito.
Em seu voto, Zanin também afirmou que os réus faziam parte de uma organização criminosa dedicada a disseminar desinformação e enfraquecer a confiança nas instituições democráticas.
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De acordo com ele, o grupo atuava de forma planejada e coordenada, utilizando estratégias de comunicação para espalhar notícias falsas e incitar desconfiança sobre o sistema eleitoral brasileiro.
“O conjunto probatório evidencia uma ação premeditada, com divisão de tarefas e objetivos claros”, destacou o ministro. Ele acrescentou que as condutas analisadas não se limitavam a atos isolados, mas faziam parte de uma estrutura organizada voltada a instigar a ruptura institucional.
Zanin apontou ainda que os participantes do grupo tinham plena consciência dos efeitos de suas ações, que incluíam tentar manipular informações oficiais, difundir relatórios falsos e mobilizar civis para pressionar autoridades públicas.
O julgamento foi retomado nesta manhã pela Primeira Turma do STF e ainda aguarda os votos dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino, que devem se manifestar nessa ordem. A definição das penas dos condenados ocorrerá em uma segunda fase de deliberação.
Ailton Barros : major da reserva acusado de articular a conexão entre militares e civis golpistas e pressionar Mauro Cid para convencer Bolsonaro a agir.
Ângelo Denicoli: major da reserva apontado como criador de documentos falsos sobre as urnas eletrônicas.
Giancarlo Rodrigues: subtenente acusado de organizar uma rede clandestina de espionagem na Abin.
Guilherme Almeida: tenente-coronel que teria divulgado mensagens e gravações sobre suposta fraude eleitoral.
Reginaldo Abreu: coronel acusado de manipular relatórios oficiais do Exército para reforçar a narrativa golpista.
Marcelo Bormevet: policial federal suspeito de usar recursos da Abin para ações de espionagem e violência.
Carlos César Rocha: presidente do IVL, responsável por produzir e divulgar relatório falso sobre falhas nas urnas.
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