Política
por José Nilton Jr.
Publicado em 16/10/2025, às 16h48
Nesta semana, uma discussão acalorada entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux movimentou os bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). O confronto aconteceu durante o intervalo de uma sessão presencial e foi presenciado por outros ministros da Corte.
A tensão começou após Gilmar ironizar o colega por ter interrompido o julgamento de um recurso apresentado pelo senador Sergio Moro (União-PR), que tenta reverter sua condição de réu em um processo por calúnia movido pelo próprio Gilmar.
O caso de Moro estava em análise no plenário virtual da Primeira Turma do STF e contava, até então, com quatro votos contrários ao ex-juiz, mantendo-o como réu. A interrupção feita por Fux suspendeu o julgamento por até três meses.
De acordo com relatos e confirmados pela CNN Brasil, o tom do debate entre os ministros rapidamente escalou. Gilmar Mendes, em tom sarcástico, teria sugerido ao colega que “procurasse terapia para se libertar da Lava Jato”, em referência à antiga Operação que marcou a política e o Judiciário brasileiros.
Durante o auge da Lava Jato, ambos os magistrados adotaram posições opostas: Gilmar Mendes se tornou um dos principais críticos da força-tarefa, enquanto Fux era visto como um dos seus maiores defensores dentro do Supremo, contando com a admiração do então juiz Sergio Moro e dos procuradores de Curitiba.
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Fux respondeu afirmando que havia pedido a suspensão do julgamento apenas para realizar uma “melhor análise do caso” e manifestou incômodo com as críticas recorrentes de Gilmar, tanto públicas quanto internas, sobre suas decisões.
O decano reconheceu que critica o colega, mas fez questão de ressaltar que o faz “às claras”. Em resposta direta, Gilmar afirmou que suas opiniões sobre Fux são públicas, chamando-o de “figura deplorável”.
Ele também aproveitou a ocasião para relembrar o voto de Fux na Primeira Turma do STF que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão. Gilmar argumentou que o voto de Fux, que durou cerca de 12 horas, “não tinha qualquer lógica”.
Segundo as fontes ouvidas pela CNN, Gilmar Mendes disse que Fux defendeu a absolvição de Bolsonaro e a condenou o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
Em tom ácido, o decano afirmou que o voto de Fux, ao absolver o ex-presidente e condenar “o mordomo”, irritou a Corte. “Todo mundo ficou aborrecido”, teria dito Gilmar, segundo os relatos.
Fux, por sua vez, defendeu sua decisão e reafirmou que agiu com base nas provas apresentadas e em sua interpretação jurídica dos fatos. Apesar do embate, não houve registro de ruptura formal entre os ministros.
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