Política
Às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, o histórico das votações presidenciais revela uma particularidade do eleitorado potiguar. Em nove disputas realizadas desde 1989, o nome que liderou a votação no Rio Grande do Norte também saiu vencedor na apuração nacional em oito ocasiões.
Esse retrospecto coloca o estado entre aqueles que apresentaram maior coincidência entre a escolha estadual e o resultado final da eleição para a Presidência da República. A única vez em que esse padrão não se repetiu foi em 2018.
Naquele ano, Jair Bolsonaro venceu a eleição nacional, enquanto Fernando Haddad foi o candidato mais votado no segundo turno no Rio Grande do Norte.
O levantamento, elaborado pelo projeto Brasil em Mapas a partir de dados eleitorais, considera o resultado do segundo turno quando houve essa etapa e o primeiro turno nas eleições decididas nessa fase. Os resultados oficiais das eleições podem ser consultados na base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O índice de 89% corresponde a oito coincidências em nove pleitos e não representa uma preferência política permanente do eleitorado potiguar. Ao longo desse período, o estado acompanhou candidatos de diferentes partidos e correntes políticas, incluindo Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
A trajetória do RN nas urnas
Na primeira eleição presidencial direta após o período da ditadura militar, em 1989, Fernando Collor venceu nacionalmente e também foi o mais votado no Rio Grande do Norte. No segundo turno, Collor recebeu 52,59% dos votos válidos no estado, contra 47,41% de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 1994, Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição no primeiro turno e também liderou a votação no RN, com 64,29% dos votos válidos. Quatro anos depois, o tucano novamente foi eleito no primeiro turno e alcançou 50,71% dos votos no estado. O resultado oficial de 1994, por exemplo, registra 606.681 votos para FHC no RN.
A sequência continuou nas duas eleições seguintes. Em 2002, Lula venceu nacionalmente e obteve 58,6% dos votos válidos no Rio Grande do Norte. Em 2006, quando foi reeleito, chegou a 60,16% no estado.
O mesmo ocorreu com Dilma Rousseff. Em 2010, a então candidata do PT conquistou 59,54% dos votos válidos no RN. Em 2014, ampliou a votação para 77,28%, enquanto também venceu a disputa presidencial no país.
A exceção de 2018
O padrão foi interrompido em 2018. Jair Bolsonaro venceu o segundo turno e foi eleito presidente da República, mas o resultado no Rio Grande do Norte foi diferente.
No estado, Fernando Haddad recebeu 63,41% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro ficou com 36,59%. Foi a única das nove eleições analisadas em que o candidato mais votado no RN não coincidiu com o vencedor nacional.
Quatro anos depois, a coincidência voltou a ocorrer. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro no segundo turno nacional e também foi o mais votado no Rio Grande do Norte, com 65,10% dos votos válidos. No resultado nacional, Lula recebeu 50,9% dos votos válidos, segundo a totalização final proclamada pelo TSE.
RN está entre os estados com maior coincidência
Com oito coincidências em nove eleições, o Rio Grande do Norte aparece na faixa de 89%, ao lado de Bahia, Maranhão, Paraíba, Piauí, Sergipe, Amapá, Pará e Tocantins.
Na parte superior da tabela estão Amazonas e Minas Gerais, que coincidiram com o vencedor nacional em todas as nove eleições analisadas, alcançando 100%. O levantamento aponta o Rio Grande do Sul na outra extremidade, com duas coincidências em nove disputas, ou 22%.
No Nordeste, seis dos nove estados registram 89%: Bahia, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Alagoas, Ceará e Pernambuco aparecem com 78%, equivalentes a sete coincidências em nove eleições.
Nordeste teve maior média regional
Considerando os nove estados nordestinos, a média de coincidência com o vencedor nacional ficou em aproximadamente 85%, segundo o levantamento.
Entre as cinco grandes regiões brasileiras, o Nordeste aparece com o maior percentual médio, seguido pelo Norte, com 80%. O Sudeste registra 73%, enquanto Centro-Oeste e Sul apresentam 59% e 45%, respectivamente.
Os números, porém, precisam ser interpretados dentro da metodologia utilizada. O índice não mede preferência partidária, força eleitoral ou influência de determinado estado sobre o resultado nacional.
Cada unidade da Federação representa uma observação. Assim, um estado com oito coincidências em nove eleições recebe os mesmos 89% que outro estado com trajetória idêntica, independentemente do tamanho de seu eleitorado.
O que o índice mostra — e o que não mostra
O dado revela apenas a frequência com que o candidato mais votado no estado coincidiu com o vencedor da eleição presidencial no país.
Ele não significa que o eleitorado potiguar tenha mantido uma preferência política uniforme ao longo das décadas. A própria sequência histórica mostra mudanças importantes: o RN acompanhou Collor em 1989, FHC em 1994 e 1998, Lula em 2002 e 2006, Dilma em 2010 e 2014, Haddad em 2018 e novamente Lula em 2022.
Também não é possível utilizar o percentual isoladamente para afirmar que o estado determina ou antecipa o resultado nacional. Trata-se de uma comparação histórica entre resultados estaduais e nacionais.
RN chega a uma nova eleição
O levantamento ganha destaque às vésperas das Eleições Gerais de 2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, conforme o calendário oficial do TSE.
Neste ano, 158.765.543 eleitoras e eleitores estão aptos a votar em todo o país, segundo os dados mais recentes divulgados pelo TSE. Além da Presidência da República, estarão em disputa os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.
A eleição de 2026 acrescentará, portanto, um novo capítulo à série histórica iniciada em 1989 e permitirá verificar se o padrão observado no Rio Grande do Norte nas últimas décadas se repetirá ou não.
Rio Grande do Norte em números
1 exceção: 2018
A trajetória desde 1989 | Em quem o RN votou
1989 — Fernando Collor
1994 — Fernando Henrique Cardoso
1998 — Fernando Henrique Cardoso
2002 — Luiz Inácio Lula da Silva
2006 — Luiz Inácio Lula da Silva
2010 — Dilma Rousseff
2014 — Dilma Rousseff
2018 — Fernando Haddad
2022 — Luiz Inácio Lula da Silva
Classificação Indicativa: Livre
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