Política
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, permanece à frente das apurações relacionadas ao Banco Master após o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitar, por 5 votos a 4, a abertura de uma investigação sobre sua atuação no caso.
A decisão foi tomada na sexta-feira (25), durante sessão extraordinária do colegiado. Em outra deliberação, os conselheiros decidiram por unanimidade não analisar um pedido de suspeição ou impedimento de Gonet, por entenderem que o Conselho não tem competência para afastá-lo dos processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar do resultado, integrantes da PGR ouvidos pela CNN Brasil avaliam que o placar apertado expôs divergências dentro do próprio Ministério Público Federal e não encerrou a desconfiança de parte dos colegas sobre a relação de Gonet com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A votação sobre a abertura de investigação terminou com cinco votos pelo arquivamento e quatro favoráveis à designação de um subprocurador-geral para aprofundar a apuração. O voto decisivo foi de Nicolao Dino, vice-presidente do Conselho, que acompanhou o relator Francisco Sanseverino.
Os conselheiros que defenderam a apuração argumentaram que ainda havia pontos a esclarecer antes de uma decisão definitiva. Entre as questões citadas estavam informações sobre um evento em Londres patrocinado pelo Banco Master, a participação do filho de Gonet no encontro e o conteúdo de uma ligação entre o procurador-geral e Vorcaro.
Já o relator concluiu que os elementos apresentados não reuniam indícios mínimos para justificar a abertura de uma investigação criminal contra Gonet. Segundo ele, as mensagens extraídas do celular de Vorcaro não registravam conversas diretas entre o ex-banqueiro e o procurador-geral.
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A discussão surgiu após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, nas quais o nome de Gonet é mencionado. O material também trouxe à tona uma fotografia dos dois durante um evento em Londres, em abril de 2024.
Segundo as informações analisadas pelo Conselho, o advogado Ciro Soares teria feito a interlocução entre Gonet e Vorcaro. O relator considerou que as referências encontradas nas mensagens não eram suficientes, por si só, para caracterizar uma relação de proximidade capaz de justificar a investigação.
Gonet nega ter relação de amizade com Vorcaro, afirma que não cometeu irregularidades e sustenta estar apto a continuar atuando nos processos relacionados ao Banco Master.
De acordo com relatos de integrantes da PGR ouvidos pela CNN Brasil, parte dos subprocuradores considera que o resultado apertado não elimina as dúvidas levantadas durante o processo. A avaliação é de que o episódio ainda pode gerar constrangimento em futuras sessões do Conselho Superior do MPF.
Aliados de Gonet, por outro lado, minimizam o impacto do resultado sobre a gestão e consideram que o arquivamento encerra a discussão no âmbito do Conselho. Eles reconhecem, contudo, que o placar causou surpresa entre integrantes próximos ao procurador-geral.
Com a decisão, Gonet continua responsável pelos processos relacionados ao Banco Master no STF. O Conselho Superior do MPF informou que não identificou elementos mínimos para a tipificação de crime de prevaricação e manteve o procurador-geral no caso.
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