Política
Um jatinho vinculado a um dirigente da J&F fez voos entre Brasília e o Paraná nas mesmas datas em que o ministro Dias Toffoli esteve em um resort, levantando suspeitas sobre possíveis conexões entre eles. Essa situação pode impactar a percepção pública sobre a imparcialidade do STF e suas relações com grandes grupos empresariais.
Desde 2025, a aeronave tem realizado frequentes trajetos entre Ourinhos e Goiânia, mas em dezembro de 2025, alterou seu percurso para incluir Brasília, coincidindo com a escolta de ministros do STF em Ribeirão Claro. O ministro Toffoli visitou o resort Tayayá várias vezes, levantando questões sobre sua relação com o advogado Paulo Humberto Barbosa, proprietário do local.
Paulo Humberto negou qualquer relação pessoal com Toffoli, embora tenha reconhecido encontros no resort. Funcionários do local, no entanto, afirmam que o ministro é proprietário do empreendimento, e ele não se manifestou sobre as alegações até o momento.
O jatinho pertencente a um dirigente ligado à J&F, multinacional do setor frigorífico, realizou duas viagens entre Brasília e o Paraná nas mesmas datas em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, esteve no resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no norte paranaense.
A aeronave, um bimotor da fabricante Pilatus, está registrada em nome da empresa Petrus Negócios e Participações, pertencente ao advogado Paulo Humberto Barbosa. Ele mantém sociedade com um dirigente da J&F, grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Desde o início de 2025, o avião tem feito trajetos frequentes entre Ourinhos, no interior de São Paulo — aeródromo mais próximo ao resort — e Goiânia, cidade onde Paulo Humberto reside. Em dezembro de 2025, no entanto, o percurso foi alterado em duas ocasiões para incluir Brasília como origem ou destino.
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Desvio de rota coincidiu com escolta a ministros do STF
Os desvios ocorreram nos dias 19 e 22 de dezembro, datas que coincidem com períodos em que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) designou seguranças para acompanhar ministros do Supremo em Ribeirão Claro, conforme registros administrativos do tribunal.
Levantamento divulgado pela coluna Andreza Matais aponta que o ministro Dias Toffoli esteve no resort Tayayá ao menos sete vezes desde que o empreendimento foi adquirido por Paulo Humberto Barbosa, em abril de 2025. As visitas teriam ocorrido com o suporte de escolta oficial.
Questionado sobre o assunto, Paulo Humberto negou manter qualquer relação pessoal com o ministro. Ele afirmou que já encontrou Dias Toffoli no resort, mas disse não ter “intimidade ou qualquer relação”, acrescentando que apenas o cumprimentou, “como faço com todos os hóspedes”.
Na semana passada, o advogado declarou desconhecer se o ministro possui imóvel no Tayayá. A reportagem do Metrópoles, contudo, esteve no local e apurou que funcionários do resort identificam Dias Toffoli como proprietário do empreendimento.
O ministro do STF foi procurado para comentar as informações, mas não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.
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