Política
A construção da Avenida da Liberdade em Belém, prevista para a COP 30, gerou polêmica ao causar desmatamento em áreas florestais, levantando questões sobre a contradição de destruir a Amazônia para um evento climático.
O projeto, que visa melhorar a mobilidade urbana, foi criticado por moradores e especialistas, que apontam a falta de consulta às comunidades tradicionais e os impactos negativos no corredor ecológico da região.
O governo do Pará defende que cumpriu as exigências de licenciamento ambiental e impôs condicionantes para mitigar os danos, enquanto o governador Helder Barbalho rebateu críticas de Donald Trump, convidando-o a conhecer a obra e destacando os esforços de preservação ambiental do estado.
A preparação de Belém para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) foi marcada por mais uma polêmica: a construção de uma nova via na capital paraense que resultou no desmatamento de áreas de floresta.
A obra é a Avenida da Liberdade, que corta áreas da floresta e território de comunidades tradicionais, levantando questionamentos sobre a coerência de destruir a Amazônia para sediar um evento climático global.
O Impacto da obra
O projeto avançou conforme os preparativos da conferência, apesar de ser datado de 2012. O Governo afirma que a obra visa melhorar a mobilidade urbana e não está diretamente ligada ao pacote de investimentos da COP 30, porém, o cronograma e a urgência da construção levantaram suspeitas.
A construção da via, que terá quatro faixas, gerou protestos de moradores locais que relatam perda de nascentes, desmatamento de árvores frutíferas e dificuldades de acesso. A obra é criticada por especialistas por deixar duas áreas de floresta desconectadas, prejudicando o corredor ecológico e a circulação de fauna silvestre.
Moradores de comunidades centenárias, como o quilombo do Abacatal, relatam a falta de consulta prévia sobre o projeto, apesar de a lei prever esse direito para comunidades tradicionais impactadas.
Posicionamento oficial
O Governo do Pará afirma que cumpriu o licenciamento ambiental e que foram impostas mais de 57 condicionantes para mitigar os impactos, incluindo a instalação de passagens de fauna e infraestrutura para comunidades do entorno.
Crítica de Donald Trump e repercussão global
A polêmica ganhou destaque mundial após o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ausente da COP 30, criticar a obra em seu perfil no Truth Social, classificando-a como um "grande escândalo".
Trump ironizou o evento climático ao afirmar que a Amazônia foi destruída "para construir uma rodovia de quatro faixas para que os ambientalistas pudessem viajar", citando reportagens que alegam que cerca de 100 mil árvores foram derrubadas.
Governador rebate fala
Diante do ocorrido, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), rebateu as críticas, convidando Trump a visitar a COP 30 e conhecer a "rodovia verde", argumentando que a obra utiliza vegetação secundária e antropizada e que se trata de uma solução de mobilidade para a região."Em vez de falar de estradas, o presidente norte-americano deveria apontar caminhos contra as mudanças climáticas", escreveu Helder.
Em vez de falar de estradas, o presidente norte-americano deveria apontar caminhos contra as mudanças climáticas.
— Helder Barbalho (@helderbarbalho) November 10, 2025
Poderia celebrar a redução histórica no desmatamento da Amazônia - com destaque para o estado do Pará, que obteve o seu melhor resultado.
Ou, no mínimo, seguir o… https://t.co/rSuBAvBw0q
Ele sugeriu ainda que Trump "siga o exemplo do Governo do Brasil e invista mais de USS 1 bilhão para salvar florestas no mundo". Por fim, o governador convidou Trump a visitar o Pará durante a COP: "Ainda dá tempo de passar na COP30, presidente Trump. Esperamos você com um tacacá. É melhor agir do que postar"
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