Política
O Governo Federal contratou dois transatlânticos de luxo para suprir a falta de leitos em Belém, onde ocorrerá a COP 30, aumentando a capacidade de hospedagem em 6 mil cabines para um público esperado de 50 mil pessoas.
Os custos da operação são elevados, com R$ 30 milhões já pagos e R$ 259 milhões reservados, o que gera preocupações sobre possíveis prejuízos caso as cabines não sejam ocupadas, além de diárias exorbitantes que variam de R$ 7.900 a R$ 48.562.
A contratação gerou protestos e investigações do Tribunal de Contas da União, que identificou indícios de superfaturamento, mas as autoridades mantêm a realização da COP 30 em Belém entre 10 e 21 de novembro.
O Governo Federal contratou dois grandes transatlânticos de luxo como solução emergencial para a escassez de leitos em Belém, no Pará, cidade onde é sediada a COP 30. A medida visa compensar o déficit hoteleiro local, que contava com apenas 20 mil acomodações para um público esperado de 50 mil participantes.
Os navios de cruzeiro vindos da Itália, foram contratados para atuar como hotéis flutuantes, adicionando cerca de 6 mil novas cabines à rede de hospedagem.
Alto custo e risco milionário
A operação dos navios envolveu custos altos:
Diárias com valores de luxo e poucas reservas
Apesar do objetivo ser ampliar a capacidade, os preços exacerbados das diárias nos navios-hotéis chamaram atenção, variando de R$ 7.900 a R$ 48.562 para duas pessoas.
Até ontem, apenas cerca de 1.700 reservas foram confirmadas. A maior parte das cabines será destinada a delegações de países em desenvolvimento, com custos subsidiados pela ONU. O restante será comercializado segundo diretrizes internacionais.
Suspeita de superfaturamento
A contratação dos navios ocorreu em meio a uma crise de credibilidade sobre a organização e os custos da COP 30, o que gerou protestos diplomáticos e uma investigação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Delegações de 25 países enviaram queixas formais ao governo brasileiro, denunciando os preços abusivos na rede hoteleira, com diárias que chegaram a ser 15 vezes maiores que o valor de mercado.
Diante disso, o Tribunal de Contas da União identificou indícios de superfaturamento em contratos para comercialização de espaços nas áreas do evento ("Green Zone" e "Blue Zone"). O TCU aponta que essa prática pode configurar abuso de posição dominante por parte da empresa contratada sem licitação.
Apesar das críticas e das apurações, as autoridades brasileiras asseguram a realização da COP 30 em Belém, entre os dias 10 e 21 de novembro.
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