Política
Um levantamento divulgado em março de 2026 trouxe à tona pagamentos elevados de horas extras a servidores de alto escalão da Câmara dos Deputados, com valores que ultrapassam R$ 20 mil mensais.
Os dados chamam atenção não apenas pelo volume financeiro, mas pela carga horária necessária para justificar os montantes — considerada, em muitos casos, incompatível com limites físicos de trabalho.
Entre os casos identificados, o diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão, recebeu R$ 22.931,04 apenas em horas extras em março de 2026.
Estimativas apontam que, para alcançar esse valor dentro das regras atuais, seria necessário cumprir jornadas que ultrapassariam, em determinados dias, mais de 18 horas de trabalho, inclusive aos fins de semana.
Situação semelhante aparece em outros cargos estratégicos. O advogado-adjunto Daniel Borges de Morais teve R$ 17.178,61 creditados na mesma rubrica no mesmo período, enquanto o diretor administrativo Mauro Limeira Mena Barreto acumulou R$ 21.807,56 em adicionais classificados como remunerações eventuais.
Volume de beneficiados amplia questionamentos
Os dados mostram que a prática não se restringe a casos isolados. Ao menos 70 servidores da Câmara receberam valores superiores a R$ 10 mil apenas em horas extras em um único mês.
Relatos de servidores, obtidos sob anonimato, indicam que integrantes da alta gestão dificilmente mantêm atividades operacionais contínuas aos fins de semana, o que intensifica dúvidas sobre a efetiva prestação do serviço declarado.
Cargos de controle também aparecem entre os beneficiados
Outro ponto que chama atenção envolve o coordenador da Comissão Permanente de Disciplina (Coped), Thiago de Matos Lauria, responsável por apurar condutas de servidores. Ele recebeu cerca de R$ 22 mil em adicionais em dezembro de 2025, valor enquadrado como remuneração eventual.
O fato de integrantes de estruturas de fiscalização também figurarem na lista amplia o debate sobre os mecanismos internos de controle.
Câmara afirma que pagamentos seguem a legislação
Em nota oficial, a Câmara dos Deputados informou que os registros de jornada são realizados por sistema biométrico, inclusive aos fins de semana, e que qualquer pagamento de horas extras exige justificativa formal, autorização prévia e comprovação de frequência.
A instituição sustenta que os servidores frequentemente cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais e que os pagamentos seguem as normas estabelecidas pela Lei nº 8.112/1990 e regulamentos internos.
valores acumulados impressionam ao longo dos anos
Quando analisados em um período mais amplo, os números se tornam ainda mais expressivos. O advogado-adjunto Daniel Borges de Morais acumulou cerca de R$ 428 mil em horas extras desde 2023, sendo mais de R$ 171 mil apenas em 2025.
Outros nomes da cúpula administrativa também registraram cifras elevadas no último ano:
Valores acumulados em 2025:
- guilherme brandão: r$ 157,8 mil em horas extras
- mauro mena barreto: r$ 151,7 mil
- sebastião neiva filho: r$ 134 mil
picos de pagamento reforçam debate sobre controle
O maior valor identificado em um único mês foi novamente de Daniel Borges de Morais, que recebeu R$ 33,5 mil em horas extras em dezembro de 2024 — montante superior ao seu salário base no período.
Para atingir esse nível de remuneração adicional dentro dos limites legais, seria necessário um regime de trabalho praticamente ininterrupto ao longo de todo o mês, incluindo finais de semana e feriados, o que intensifica os questionamentos sobre a consistência dos registros.
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