Política

Reviravolta no STF: Zanin assume ação que pode obrigar Câmara a abrir CPI explosiva contra Banco Master

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Ministro Cristiano Zanin foi escolhido para relatar pedido de CPI que investiga fraudes no Banco Master, após suspeição de Toffoli  |   BNews RN - Divulgação Foto: Rosinei Coutinho/STF
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 12/03/2026, às 13h16



O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado nesta quarta-feira (11) como relator de um pedido que pode obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

A redistribuição ocorreu após o ministro Dias Toffoli declarar-se suspeito para conduzir o processo. O magistrado informou que sua decisão ocorreu por motivo de foro íntimo e determinou o envio do caso à Presidência do tribunal para novo sorteio da relatoria.

Toffoli deixa processo após declarar suspeição

Em despacho encaminhado à Corte, Dias Toffoli comunicou oficialmente sua saída da análise do pedido.

“Declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo. Determino à Secretaria Judiciária que encaminhe o processo à Presidência desta Suprema Corte para a adoção das providências que julgar pertinentes”, afirmou o ministro.

Horas antes da declaração de suspeição, Toffoli havia sido sorteado para relatar o pedido apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg, do Partido Socialista Brasileiro.

Caso ganhou repercussão após revelações sobre negócios

A mudança na relatoria ocorre poucas semanas depois de Toffoli deixar as investigações relacionadas ao caso Master no Supremo Tribunal Federal.

No mês passado, vieram a público informações de que o ministro é sócio de uma empresa que vendeu parte de um resort localizado no interior do Paraná a fundos ligados ao empresário Daniel Vorcaro.

Após a saída de Toffoli da investigação, o ministro André Mendonça assumiu a condução do processo no tribunal.

Deputado acusa Câmara de travar instalação da CPI

No pedido encaminhado ao Supremo, Rodrigo Rollemberg afirma que o presidente da Câmara, Hugo Motta, estaria adiando sem justificativa a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito.

A investigação proposta pretende apurar possíveis irregularidades na relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília.

Segundo o parlamentar, mesmo após mais de 30 dias do protocolo do requerimento e da apresentação de questão de ordem, não houve qualquer providência da presidência da Câmara para instalar a comissão.

Parlamentar cobra investigação sobre possíveis fraudes

Na ação apresentada ao Supremo Tribunal Federal, o deputado afirma que o atraso impede o funcionamento de uma das principais atribuições do Legislativo.

Rollemberg argumenta que o Parlamento precisa exercer seu papel de investigar e fiscalizar eventuais irregularidades envolvendo entidades públicas e privadas.

Para ele, as suspeitas relacionadas ao caso possuem potencial impacto sistêmico e exigem esclarecimentos.

Enquanto o pedido da CPI passa a ser analisado por Cristiano Zanin, o Supremo também discute outras medidas relacionadas ao caso Master. Na próxima sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF começará a julgar se mantém as decisões tomadas por André Mendonça na investigação.

Após assumir a relatoria, Mendonça autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, que determinou na semana passada o retorno de Daniel Vorcaro à prisão.

A análise ocorrerá no plenário virtual do tribunal e deve avaliar se as medidas adotadas pelo relator permanecem válidas. Nos bastidores da Corte, Dias Toffoli indicou a colegas que poderá participar da votação sobre essas decisões. O julgamento promete ampliar a repercussão do caso que envolve o Banco Master e movimenta o cenário político e jurídico em Brasília.

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