A possível classificação do camarão Vannamei como “espécie exótica invasora” será discutida diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o presidente da Feira Nacional do Camarão, Itamar Rocha.
A proposta, incluída em uma minuta do Conselho Nacional de Biodiversidade, acendeu o alerta na cadeia da carcinicultura, que teme restrições ao cultivo e impactos econômicos severos. A decisão final está prevista para 8 de dezembro.
Rocha relatou que o tema dominou as reclamações apresentadas ao ministro da Pesca, André de Paula, durante a abertura da Fenacam 2025, em Natal. Segundo ele, o ministro prometeu levar o assunto ao presidente e buscar uma solução.
A reação também veio do empresário cearense Cristiano Maia, novo presidente da Camarão BR, que afirmou ter passado o dia 11 de novembro ao lado do ministro em visita a fazendas produtoras no Rio Grande do Norte e disse acreditar que a proposta não avançará.
A minuta do Conabio inclui não só o camarão Vannamei, mas também tilápia e frutas como manga, goiaba e jaca na lista de possíveis espécies exóticas invasoras, categoria destinada a organismos não nativos que ocupam novos ambientes e ameaçam a biodiversidade.
Caso a classificação seja confirmada, o setor teme custos mais altos, maior rigidez no licenciamento ambiental e riscos para a continuidade da atividade no Rio Grande do Norte, que produz cerca de 35 mil toneladas por ano e emprega 30 mil pessoas diretamente.
Produtores alertam para impacto econômico
O presidente da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão, Origenes Monte, avaliou que a inclusão representaria um golpe para a atividade. Ele afirmou que a entidade tem atuado politicamente para impedir a mudança e classificou a proposta como um desastre econômico em potencial.
A Faern também se manifestou, na voz de seu presidente José Vieira, contra o que chamou de ações contrárias ao setor produtivo.
No plano nacional, outras entidades se uniram ao movimento. A Abipesca criticou a minuta do Conabio, apontando falta de precisão técnica, riscos econômicos e fragilidades jurídicas. A associação defendeu a necessidade de um debate mais amplo, sustentado em evidências científicas, antes de qualquer decisão.
O Ministério da Agricultura demonstrou preocupação com a ausência de diálogo e com a falta de bases técnicas. Já o Ministério do Meio Ambiente argumentou que a classificação de uma espécie como exótica invasora não significa proibição do cultivo nem banimento do uso.
MMA e Ibama tentam conter tensão
Diante da repercussão, o Ministério do Meio Ambiente afirmou que o Ibama seguirá responsável por autorizar a criação de tilápia e de outras espécies cultivadas no país, indicando que eventuais mudanças não resultariam em interrupção imediata de atividades.
Apesar da sinalização oficial, o setor produtivo permanece mobilizado enquanto aguarda a decisão de dezembro, considerada crucial para a sobrevivência de toda a cadeia da carcinicultura no Rio Grande do Norte e em outros estados.