Política

Saúde mental: audiência denuncia falhas na rede e avanço da lógica manicomial em Natal

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A Câmara Municipal de Natal discute os desafios da saúde mental durante audiência pública sobre cuidado em liberdade e luta antimanicomial  |   BNews RN - Divulgação Foto: Sarah Carvalho
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 11/05/2026, às 12h19



A Câmara Municipal de Natal debateu, na manhã desta sexta-feira (8), os desafios da política de saúde mental no município durante audiência pública com o tema “Saúde mental antimanicomial: em defesa do cuidado em liberdade”. O encontro reuniu representantes da saúde pública, usuários da rede de atenção psicossocial e movimentos sociais ligados à luta antimanicomial.

Entre os principais pontos discutidos estiveram o fechamento do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Leste III, a redução do funcionamento do Centro de Convivência e a necessidade de fortalecer os serviços públicos de atendimento psicológico e psiquiátrico.

A audiência foi proposta pelo vereador Daniel Valença, do Partido dos Trabalhadores (PT), que criticou o modelo de atendimento ainda adotado em diferentes regiões do país. Segundo o parlamentar, apesar dos avanços da reforma psiquiátrica, ainda persiste uma lógica manicomial no cuidado em saúde mental.

Durante o debate, representantes da rede pública defenderam a ampliação da atenção psicossocial e alertaram para a importância de políticas públicas voltadas ao cuidado humanizado, à prevenção e à inclusão social dos usuários.

Rede de atenção 

Representando o CAPS Leste II, Katiane Silva destacou que pessoas com transtornos mentais ainda enfrentam forte preconceito social. Ela afirmou que usuários dos serviços de saúde mental e pessoas autistas convivem diariamente com discriminação e dificuldades de acesso a um atendimento mais acolhedor.

Já a representante do Conselho Municipal de Saúde, Cristiane Rego, reforçou a necessidade de fortalecer a atenção primária para evitar a sobrecarga de hospitais e serviços especializados. Segundo ela, o cuidado em saúde mental precisa começar antes do agravamento dos casos.

Cristiane também defendeu que o tratamento não deve se limitar ao uso de medicamentos. Para ela, atividades como arte, dança, música e exercícios físicos são fundamentais no processo terapêutico e no desenvolvimento da autonomia dos pacientes.

Estado prepara ações 

A audiência também discutiu novas demandas relacionadas à saúde mental, entre elas o crescimento de casos ligados à dependência em jogos online e apostas virtuais.

A secretária adjunta de Saúde do Rio Grande do Norte, Leidiane Queiroz, informou que o estado está implantando um projeto piloto em parceria com o Ministério da Saúde para ampliar o atendimento especializado nessa área.

De acordo com a gestora, 13 unidades do CAPS do Rio Grande do Norte receberão qualificação para atendimento virtual especializado, incluindo suporte para pessoas com dependência em apostas online e mulheres vítimas de violência. Segundo ela, o problema já é tratado como uma questão social e de saúde pública.

Classificação Indicativa: Livre

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