Política
O Instituto de Previdência dos Servidores do Rio Grande do Norte (Ipern) encerrou 2025 com um déficit atuarial de R$ 55,94 bilhões. O dado consta em relatório apresentado ao Conselho Estadual de Previdência Social e evidencia o desafio de manter o equilíbrio financeiro do sistema previdenciário no longo prazo.
Embora o indicador não represente falta imediata de recursos para o pagamento de aposentadorias e pensões, ele revela a diferença entre as receitas projetadas e o total de compromissos futuros assumidos pelo regime próprio de previdência dos servidores estaduais.
Atualmente, o Tesouro Estadual destina cerca de R$ 150 milhões mensais para complementar o pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos, segundo informações da Tribuna do Norte.
O aporte é necessário para garantir o pagamento dos benefícios diante da diferença entre a arrecadação previdenciária e as despesas do sistema.
Sistema reúne mais de 103 mil beneficiários e servidores
De acordo com o levantamento apresentado ao Conselho Estadual de Previdência Social, o regime próprio do Estado é composto por:
49.374 servidores ativos;
45.686 aposentados;
8.325 pensionistas.
Ao todo, o sistema reúne mais de 103 mil pessoas entre contribuintes e beneficiários.
Diferença entre ativos e obrigações explica o déficit
As projeções atuariais apontam que o Ipern possui aproximadamente R$ 60,34 bilhões em obrigações futuras, valor necessário para honrar aposentadorias e pensões ao longo dos próximos anos.
Em contrapartida, o instituto dispõe de R$ 4,39 bilhões em ativos, considerando investimentos e valores previstos de compensação previdenciária.
A diferença entre esses montantes resulta no déficit atuarial de R$ 55,94 bilhões registrado no encerramento de 2025.
TCE acompanha situação da Previdência
A situação financeira da previdência estadual também está sob análise do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN).
O órgão determinou que o Governo do Estado apresentasse um plano de amortização para reduzir o déficit. No entanto, conforme o processo, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) recorreu da decisão, e o caso aguarda manifestação da conselheira relatora Ana Paula de Oliveira Gomes.
Especialistas defendem medidas de longo prazo
Para o presidente do Conselho Estadual de Previdência Social, Eleazar Cavalcante de Brito, a sustentabilidade da previdência representa atualmente o principal desafio das finanças públicas do Rio Grande do Norte. Segundo ele, serão necessárias medidas estruturantes para reequilibrar o sistema.
O economista Helder Cavalcanti ressalta que o déficit atuarial não significa que o Estado deixará de pagar aposentadorias e pensões no curto prazo.
De acordo com ele, o indicador serve para medir a sustentabilidade financeira do regime previdenciário ao longo dos anos e orientar a adoção de políticas que garantam seu equilíbrio.
Procurado, o Ipern informou que não irá comentar o assunto enquanto os estudos técnicos não forem concluídos e aprovados pelo Governo do Estado.
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