Política

Rogério Marinho pressiona STF, pede prisão domiciliar e aposta em indulto para Bolsonaro

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O senador Rogério Marinho argumenta que a saúde e idade de Bolsonaro justificam a mudança para prisão domiciliar  |   BNews RN - Divulgação Foto: Reprodução/Youtube/96 FM
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 23/01/2026, às 13h08



O senador Rogério Marinho, do Partido Liberal (PL), defendeu nesta quinta-feira (22) que o ex-presidente Jair Bolsonaro, também do Partido Liberal, seja transferido para o regime de prisão domiciliar.

Segundo o parlamentar, a medida seria compatível com a condição pessoal do ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e preso desde novembro de 2025.

Na avaliação de Rogério Marinho, a situação de Bolsonaro exige um tratamento diferenciado em razão da idade e do estado de saúde.

O senador afirmou que o ex-presidente tem 70 anos, possui comorbidades conhecidas e passou por quatro cirurgias durante o período de cárcere, além de procedimentos anteriores decorrentes do atentado a faca sofrido em 2018.

As declarações foram dadas em entrevista à rádio 96 FM Natal, na qual o parlamentar afirmou que aliados seguem pressionando por uma mudança no regime de cumprimento da pena, alegando razões humanitárias e falta de proporcionalidade na execução da condenação.

Indulto entra no discurso eleitoral

Durante a entrevista, Rogério Marinho também projetou um possível indulto a Jair Bolsonaro em caso de vitória da direita nas eleições presidenciais de 2026. Segundo ele, a medida não beneficiaria apenas o ex-presidente, mas também outros condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

O senador afirmou que a punição imposta a Bolsonaro e aos demais réus estaria inserida em um contexto de perseguição política. Para Rogério, haveria um ambiente de exceção jurídica criado para afastar o ex-presidente da vida pública, ultrapassando os limites tradicionais do direito.

Ele reconheceu a forte polarização política no País, mas rejeitou a ideia de que a responsabilização judicial de Bolsonaro decorra de crimes comprovados. Ao ser questionado sobre excessos cometidos no governo anterior, declarou que não haveria crime configurado e se colocou como testemunha dessa posição.

Críticas ao Supremo e ao processo

Rogério Marinho direcionou críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que a condenação de Bolsonaro fugiu ao devido processo legal.

Segundo ele, seria inédito, na história recente do Brasil, um ex-presidente ser julgado diretamente pela Corte, sem passar pela primeira instância e sem direito ao duplo grau de jurisdição.

O senador também questionou o fato de o julgamento não ter ocorrido no plenário do Supremo Tribunal Federal, mas na Primeira Turma da Corte. Para ele, a decisão contrariaria a Constituição e agravaria a fragilidade do processo.

Na avaliação do parlamentar, a composição da Primeira Turma comprometeria a imparcialidade do julgamento. Rogério citou os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, afirmando que ambos seriam desafetos públicos de Bolsonaro, o que, segundo ele, deveria resultar no afastamento dos magistrados do caso.

Ataques às provas e à denúncia

Ao tratar do mérito da condenação por tentativa de golpe de Estado, Rogério Marinho afirmou que não haveria provas concretas contra o ex-presidente. Segundo ele, documentos citados no processo, como a chamada “minuta do golpe”, não teriam validade jurídica e seriam apócrifos.

O senador também criticou a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Para Rogério, a denúncia apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet Branco se basearia em inferências e suposições, sem comprovação material dos crimes imputados a Bolsonaro.

Ele ainda rebateu a caracterização de atos institucionais do governo Bolsonaro como condutas criminosas. Ao comentar a reunião com embaixadores, citada no processo, afirmou que a interlocução com representantes estrangeiros é atribuição constitucional do chefe do Estado brasileiro.

Encerrando a entrevista, Rogério Marinho comparou o atual cenário jurídico a períodos em que, segundo ele, o direito foi relativizado. Para o senador, o País vive uma “jurisprudência de exceção”, construída para impedir que Jair Bolsonaro permaneça atuando politicamente.

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