O senador Rogério Marinho, do Partido Liberal do Rio Grande do Norte (PL-RN), afirmou que o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal do Rio de Janeiro (PL-RJ), é hoje o melhor nome da direita para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026.
A declaração foi feita em entrevista à emissora CNN Brasil, na qual o líder da oposição no Senado Federal disse que a escolha é resultado de um processo de amadurecimento político conduzido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, e por lideranças do campo conservador.
Segundo Marinho, o cenário se consolidou após o avanço das restrições judiciais impostas a Jair Bolsonaro, o que levou a direita a reorganizar sua estratégia eleitoral para o próximo pleito.
Bolsonaro como liderança e herança política
De acordo com Rogério Marinho, mesmo impedido de disputar eleições, Jair Bolsonaro segue como a principal liderança da direita brasileira. Para o senador, o ex-presidente foi responsável por mobilizar um campo ideológico que sempre existiu no país, mas que estava disperso.
Ele afirmou que Bolsonaro reuniu setores conservadores em torno de pautas como defesa da família, da vida, da liberdade de expressão e de um Estado menos burocrático.
“Tem um líder, que é o presidente Bolsonaro, e esse líder nos aponta um caminho para defender o seu legado, que é o senador Flávio Bolsonaro”, afirmou Marinho, ao destacar a continuidade política entre pai e filho.
Perfil geracional e articulação política
Rogério Marinho ressaltou que Flávio Bolsonaro reúne atributos políticos e geracionais para conduzir o debate presidencial. Segundo ele, a idade e a trajetória do senador fluminense pesaram na definição.
“Ele é jovem, tem 44 anos, e quer exercer essa função para defender esse patrimônio, esse legado, que é um legado de valores”, disse.
O senador potiguar afirmou ainda que a decisão passou por consultas a parlamentares e lideranças da direita em todo o país. Segundo ele, Jair Bolsonaro, mesmo com limitações de atuação política, amadureceu a estratégia e definiu o nome que será apresentado no ano eleitoral.
PL da dosimetria e acordo possível
Na mesma entrevista, Rogério Marinho comentou a tramitação do Projeto de Lei da Dosimetria, que trata da redução de penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo o senador, o texto que avança no Congresso Nacional não representa a proposta ideal da oposição, mas reflete o acordo possível diante da correlação de forças no Parlamento.
Marinho afirmou que a oposição tentou avançar com uma proposta de anistia ampla, mas não obteve apoio suficiente, o que levou à construção de um texto intermediário após mais de um ano de negociações.
Progressão de penas e ajustes no texto
De acordo com Rogério Marinho, o projeto prevê regras de progressão de regime que podem beneficiar condenados com penas inferiores a 17 anos, desde que cumpram os requisitos legais.
Ele explicou que, com a nova legislação, pessoas que já tenham cumprido um sexto da pena poderão solicitar progressão de regime após a promulgação da lei.
O senador afirmou acreditar que há votos suficientes para aprovação do projeto tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no plenário do Senado Federal, mas reconheceu a necessidade de ajustes para evitar que o texto beneficie condenados por outros crimes.
Críticas ao Judiciário e orientação de Bolsonaro
Marinho criticou o que classificou como desproporcionalidade das penas aplicadas pelo Poder Judiciário aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Para ele, não é razoável que pessoas condenadas por atos de menor gravidade recebam penas elevadas nem que os julgamentos ocorram diretamente no Supremo Tribunal Federal, sem possibilidade de recurso a instância superior.
Segundo o senador, o próprio Jair Bolsonaro orientou sua base a apoiar o projeto, mesmo sem benefício direto para si, como gesto político em favor dos condenados.
Lei Magnitsky e questionamentos institucionais
Rogério Marinho também comentou a retirada das sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky pelos Estados Unidos da América.
Para o senador, a revogação levanta questionamentos sobre possíveis negociações diplomáticas e exige explicações públicas. Ele afirmou que a aplicação da Lei Magnitsky é uma medida grave e que sua suspensão precisa ser esclarecida.
Marinho voltou a criticar decisões do Judiciário brasileiro e disse ver violações à liberdade de expressão e aos direitos individuais, apontando o que considera um desequilíbrio institucional no país.
Eleição como resposta política
Ao final da entrevista, Rogério Marinho afirmou que o debate sobre instituições e democracia deve ter como resposta o processo eleitoral.
Segundo ele, o próximo ano será decisivo para que a sociedade se manifeste politicamente nas urnas. O senador concluiu reafirmando apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026.