Política
Anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições de 2026, o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça Neto (PL-AL) chega à disputa nacional com um histórico marcado pela atuação no Ministério Público, na segurança pública e no Congresso Nacional.
Natural de Maceió (AL), Alfredo Gaspar nasceu em 1970 e construiu boa parte de sua trajetória profissional no sistema de Justiça. Antes de ser eleito deputado federal, dedicou mais de duas décadas ao Ministério Público de Alagoas, onde participou de investigações relacionadas ao combate ao crime organizado e à corrupção.
A escolha de Gaspar para compor a chapa presidencial reforça o discurso do Partido Liberal voltado para temas como segurança pública, enfrentamento à criminalidade e combate à corrupção, bandeiras defendidas pelo parlamentar desde o início de sua atuação política.
Trajetória no Ministério Público
Alfredo Gaspar atuou durante 24 anos como promotor de Justiça em Alagoas, período em que participou de investigações de grande repercussão envolvendo organizações criminosas e esquemas de corrupção.
Ao longo da carreira, coordenou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), considerado uma das principais estruturas de investigação do Ministério Público estadual.
Também se tornou o primeiro alagoano a presidir o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), colegiado que reúne representantes dos Ministérios Públicos de diferentes estados para atuar de forma integrada em operações de combate ao crime organizado.
Outra função de destaque exercida por Alfredo Gaspar foi a de procurador-geral de Justiça de Alagoas, cargo máximo do Ministério Público estadual, ocupado por ele em duas oportunidades.
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Passagem pela Secretaria de Segurança Pública
Além da carreira no Ministério Público, Alfredo Gaspar também acumulou experiência na administração pública.
Ele comandou a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas em duas ocasiões, sendo responsável pela coordenação das forças policiais e das políticas de segurança no estado.
Durante sua gestão, o governo alagoano informou redução nos índices de homicídios e de outros crimes violentos, resultados que passaram a integrar o histórico administrativo apresentado pelo parlamentar.
Chegada ao Congresso Nacional
Nas eleições de 2022, Alfredo Gaspar foi eleito deputado federal por Alagoas, figurando entre os candidatos mais votados do estado.
Na Câmara dos Deputados, passou a integrar colegiados considerados estratégicos, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão de Segurança Pública.
Sua atuação parlamentar é voltada principalmente para debates relacionados ao fortalecimento das políticas de segurança, combate às organizações criminosas, aperfeiçoamento da legislação penal e fiscalização da administração pública.
Relator da CPMI do INSS
Em agosto de 2025, Alfredo Gaspar assumiu a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A comissão foi instalada para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo descontos considerados indevidos em benefícios pagos a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.
Como relator, o deputado passou a conduzir uma das principais investigações em andamento no Congresso Nacional, responsável pela elaboração do parecer final da comissão.
Principais bandeiras do parlamentar
Desde que assumiu o mandato na Câmara, Alfredo Gaspar tem concentrado sua atuação em propostas ligadas à segurança pública e ao combate à corrupção.
Pautas defendidas pelo deputado:
Ao longo do mandato, o parlamentar também recebeu destaque em avaliações sobre desempenho legislativo realizadas por entidades que acompanham a atuação dos congressistas.
Acusações marcaram atuação de Alfredo Gaspar na CPMI do INSS
A atuação de Alfredo Gaspar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS também foi marcada por uma forte controvérsia no Congresso Nacional.
Durante a leitura do relatório final da comissão, em junho deste ano, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) acusaram Gaspar de envolvimento em um suposto caso de estupro de vulnerável e tentativa de suborno para silenciar a vítima.
Segundo os parlamentares, os fatos teriam ocorrido há cerca de oito anos e envolveriam uma adolescente de 13 anos que teria engravidado. Eles também afirmam ter encaminhado à Polícia Federal documentos, capturas de tela de conversas e outras informações que, segundo sustentam, indicariam uma tentativa de compra de silêncio da suposta vítima por meio de um intermediário.
Ainda de acordo com Lindbergh e Soraya, esse intermediador teria realizado um pagamento de R$ 70 mil, enquanto outros R$ 400 mil estariam sendo negociados para impedir que o caso viesse a público.
As declarações provocaram tumulto durante a sessão da CPMI, que precisou ser interrompida para que Alfredo Gaspar respondesse às acusações.
O deputado nega todas as denúncias. Segundo sua defesa, os parlamentares confundiram os fatos com um episódio envolvendo um primo seu, ocorrido em circunstâncias distintas das apresentadas durante a comissão. Gaspar afirma que nunca praticou estupro nem participou de qualquer tentativa de suborno.
Após a manifestação do deputado, Soraya Thronicke declarou nas redes sociais que a explicação apresentada por Gaspar fazia referência a um caso diferente daquele citado por ela e por Lindbergh Farias. Até o momento, não há decisão judicial sobre as acusações.
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