Política
por Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Publicado em 25/04/2026, às 16h19
As investigações sobre o megaesquema de corrupção e fraudes no INSS completam um ano nesta semana em meio a um cenário de guerra institucional nos bastidores do Poder Judiciário. O ponto central da discórdia é a validade das delações premiadas: de um lado, a Polícia Federal (PF) busca fechar acordos de colaboração; do outro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenta invalidar qualquer negociação que não passe por seu crivo direto.
O imbróglio agora está nas mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A PGR já sinalizou que deve pedir providências ao ministro para desqualificar as tratativas feitas exclusivamente pela PF, repetindo o roteiro de tensão visto no caso de Mauro Cid, onde o órgão também atacou a validade das declarações.
A bola da vez é o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos líderes do esquema que desviou recursos previdenciários. Mendonça já recebeu os anexos do acordo de Camisotti e enviou a documentação para o gabinete do Procurador-Geral, Paulo Gonet, que pretende analisar cada linha "com lupa" para encontrar brechas que permitam contestar a eficácia da delação.
A disputa reflete uma queda de braço antiga sobre a autonomia da Polícia Federal em propor benefícios a criminosos confessos sem a anuência prévia do Ministério Público. No caso de Mauro Cid, o ministro Alexandre de Moraes manteve o acordo mesmo contra a vontade da PGR. Agora, a expectativa do mundo jurídico recai sobre o critério de André Mendonça.
O ministro deve adotar um rigor técnico elevado para avaliar as provas de corroboração. Se as delações de Camisotti trouxerem provas documentais irrefutáveis, a PGR terá dificuldades em barrar o avanço da investigação, que promete atingir altos escalões da administração pública e do setor privado.
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