Política

Nunes Marques cogita libertar Jair Bolsonaro após segundo turno das eleições

Reprodução: Internet
Kassio Nunes Marques, relator do caso, deve agir com cautela para evitar influenciar o segundo turno das eleições 2026 no Brasil  |   BNews RN - Divulgação Reprodução: Internet
Redação

por Redação

[email protected]

Publicado em 06/10/2026, às 13h17



O resultado do primeiro turno da eleição presidencial recolocou no centro do debate político e jurídico o futuro de Jair Bolsonaro (PL). Com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminando a primeira etapa da disputa à frente de Lula (PT), aumentaram as atenções sobre um pedido apresentado pela defesa do ex-presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender sua condenação e prisão.

O processo está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, que foi indicado ao STF pelo próprio Jair Bolsonaro em 2020. A defesa tenta, por meio de uma revisão criminal, anular a condenação e obter a suspensão da prisão enquanto o pedido é analisado. Nunes Marques também preside atualmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

O cenário eleitoral acrescentou uma variável política à discussão. Flávio Bolsonaro declarou durante a campanha que, se for eleito presidente, pretende conceder indulto ao pai.

Uma eventual decisão favorável do STF antes disso poderia antecipar a libertação de Jair Bolsonaro, enquanto uma decisão posterior deixaria o tema também sujeito aos caminhos de um eventual governo do filho.

Ministro deve evitar decisão antes do segundo turno

A avaliação nos bastidores é que Nunes Marques não deve tomar uma decisão sobre o pedido antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A preocupação seria evitar que uma medida envolvendo diretamente Jair Bolsonaro tenha impacto sobre a disputa presidencial.

O ministro já adotou um procedimento que indica cautela na análise do caso. Em uma das revisões criminais apresentadas pela defesa, concedeu à Procuradoria-Geral da República (PGR) prazo de 20 dias para apresentar manifestação, justificando a ampliação pela complexidade do processo, que envolve o julgamento de um ex-presidente da República. 

A defesa apresentou ainda um novo pedido no fim de setembro, distribuído novamente a Nunes Marques por ele já ser relator da primeira revisão criminal. Nessa nova ação, os advogados pedem, em caráter liminar, a suspensão da prisão de Bolsonaro até o julgamento definitivo da revisão. 

O que a defesa de Bolsonaro argumenta

Os advogados sustentam que houve irregularidades na condução das investigações e no processo que levou à condenação do ex-presidente.

Entre os argumentos apresentados está a discussão sobre a possibilidade de magistrados iniciarem investigações de ofício, sem provocação prévia do Ministério Público. A defesa também questiona o tempo disponível para que os advogados tivessem acesso e analisassem o conjunto de provas produzido durante a investigação. 

Os advogados relacionam esses argumentos a uma sessão realizada pelo STF em 15 de setembro, durante a qual foram discutidas questões envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o caso relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A partir daquele julgamento, a defesa afirma que ministros reconheceram a necessidade de respeitar limites para a atuação judicial e de garantir tempo adequado para que os advogados tenham acesso aos elementos de prova.
Segundo a tese apresentada no pedido, essas mesmas garantias não teriam sido observadas no processo que levou à condenação de Bolsonaro.

Defesa quer reabrir processo

Na revisão criminal, os advogados não pedem apenas uma mudança no cumprimento da pena. A estratégia é questionar a própria validade de atos que deram origem à investigação e, consequentemente, das provas utilizadas no processo.

O novo pedido busca anular decisões relacionadas à investigação, invalidar provas que, segundo a defesa, teriam sido obtidas a partir desses atos e reabrir a fase de instrução. A petição também apresenta questionamentos sobre a forma como dados digitais foram coletados. 

Se os argumentos fossem acolhidos, o resultado poderia ter consequências muito mais amplas do que uma simples alteração no regime de cumprimento da pena. A defesa pretende desconstituir a condenação e permitir uma nova análise do processo.
A revisão criminal, porém, é um instrumento excepcional utilizado para contestar uma condenação definitiva e não funciona como uma nova etapa ordinária de recurso.

PGR já se posicionou contra primeira revisão

O primeiro pedido de revisão criminal apresentado pela defesa já recebeu manifestação contrária da Procuradoria-Geral da República.
Em junho, o procurador-geral Paulo Gonet defendeu que o STF rejeitasse a solicitação.

Para a PGR, os argumentos apresentados pelos advogados não demonstravam elementos suficientes para reabrir o caso e buscavam rediscutir questões que já haviam sido analisadas pela Corte. 

A posição da Procuradoria é relevante porque Nunes Marques solicitou manifestação do órgão antes de analisar o pedido. No segundo pedido, apresentado posteriormente, a defesa voltou a questionar aspectos da investigação e do julgamento.

Flávio promete indulto ao pai

Enquanto o STF analisa os pedidos da defesa, existe também um caminho político para a eventual liberdade de Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro afirmou que pretende conceder indulto ao pai caso seja eleito presidente. A promessa passou a integrar o debate sobre o futuro do ex-presidente após sua condenação.

A eventual concessão, contudo, dependeria da chegada de Flávio ao Palácio do Planalto e da posse do novo presidente. Segundo especialistas ouvidos pela imprensa, o procedimento para efetivar um eventual indulto não seria necessariamente imediato. 

Além disso, a discussão jurídica sobre os efeitos de um eventual indulto envolve limites constitucionais e a natureza dos crimes pelos quais Bolsonaro foi condenado. Portanto, a promessa de campanha não significa, por si só, que a liberdade do ex-presidente estaria automaticamente garantida.

Por que a decisão de Nunes Marques é acompanhada de perto?

A atenção sobre o ministro também está relacionada à sua trajetória no STF. Nunes Marques chegou à Corte por indicação de Jair Bolsonaro, que o escolheu para ocupar uma das 11 cadeiras do tribunal em 2020. 

É justamente por essa relação política anterior que aliados e pessoas próximas ao ex-presidente acompanham com expectativa a análise dos pedidos. A eventual decisão, entretanto, terá de observar os requisitos jurídicos da revisão criminal e o posicionamento dos demais integrantes da Corte quando o caso for submetido ao colegiado.

Nunes Marques também ocupa a presidência do TSE durante o processo eleitoral. Uma decisão envolvendo diretamente Jair Bolsonaro durante a campanha poderia ampliar as tensões políticas em torno do Supremo e do próprio processo eleitoral.

Condenação de Bolsonaro

Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A condenação incluiu os crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.
Atualmente, Bolsonaro cumpre a pena em prisão domiciliar por razões de saúde, conforme as decisões judiciais que estabeleceram o regime.

O futuro do ex-presidente, portanto, passou a depender de duas frentes que caminham paralelamente: a análise dos pedidos apresentados ao Supremo e o resultado da eleição presidencial. Enquanto a defesa tenta reverter judicialmente a condenação, Flávio Bolsonaro mantém a promessa de buscar a libertação do pai caso chegue à Presidência.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating