A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal um documento em que recomenda a inclusão do tenente-coronel Mauro Cid e de seus familiares no Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas.
A medida é tratada como necessária para garantir a segurança do ex-ajudante de ordens e de seus parentes diante de ameaças identificadas pelos investigadores. O material foi direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Análise da PF e encaminhamento ao STF
O alerta da Polícia Federal levou Moraes a solicitar, nesta sexta-feira, que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o pedido no prazo de cinco dias.
No despacho, o ministro registrou que a corporação considera possível a inclusão da família de Cid no programa de proteção, desde que todos aceitem formalmente as regras estabelecidas pela Lei 9.807 de 1999. O registro enviado à PGR destaca que a integridade física dos envolvidos pode estar comprometida.
Segundo a comunicação oficial, as ameaças foram consideradas concretas e suficientes para justificar a recomendação. Cid, apontado como peça central em investigações que atingem o núcleo político do governo de Jair Bolsonaro, tornou-se alvo de pressões desde que passou a colaborar com as autoridades.
PGR avalia posicionamento
A partir do parecer da Procuradoria-Geral da República, o relator decidirá se acata ou não a inclusão de Mauro Cid no programa. A análise será determinante para definir se o militar e sua família receberão o conjunto de medidas de proteção previsto em lei, incluindo mudança de identidade e deslocamento sigiloso, quando necessário.
A solicitação ocorre no âmbito da Ação Penal 2.668, que reúne denúncias contra Cid, Bolsonaro, ex-ministros e militares de alta patente.
A eventual aprovação da medida reforçará a dimensão das informações fornecidas pelo delator, apontado como um dos nomes mais estratégicos das investigações que apuram supostas tramas antidemocráticas e outros crimes ligados ao governo anterior.
Figura decisiva nas investigações
O acordo de colaboração firmado por Cid com a Polícia Federal impulsionou operações e inquéritos em curso no STF. A relevância de seus depoimentos ajudou a ampliar o alcance das apurações, que seguem desdobramentos internos e externos ao entorno do ex-presidente Bolsonaro.
A decisão final sobre a proteção de Mauro Cid deve representar um divisor de águas no andamento do processo, já que sua segurança é tratada como condição essencial para a continuidade das investigações. O episódio adiciona pressão ao cenário político e jurídico que envolve figuras de destaque do antigo governo.