Política
A Finep cancelou o programa de desenvolvimento do foguete Montenegro MKI devido a inconsistências na comprovação de gastos, resultando na rescisão contratual e na abertura de procedimentos de controle. O projeto, que visava enviar pequenos satélites ao espaço, tinha um orçamento estimado de R$ 180 milhões.
Dos R$ 41,3 milhões transferidos ao consórcio, apenas R$ 16,7 milhões foram aceitos pela Finep, evidenciando problemas na gestão financeira. O cancelamento do projeto gerou demissões e levantou preocupações sobre a credibilidade de futuras iniciativas espaciais no Brasil.
Além da devolução dos valores pagos, a Finep instaurou uma Tomada de Contas Especial, que pode envolver o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União. O impacto no ecossistema aeroespacial é significativo, afetando startups e a articulação entre governo e empresas do setor.
A Finep cancelou o programa que previa o desenvolvimento de um foguete brasileiro de pequeno porte após identificar inconsistências na comprovação de gastos com recursos públicos.
Documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação apontam que cerca de R$ 24,5 milhões repassados ao consórcio liderado pela Akaer não tiveram detalhamento considerado suficiente pela agência.
A medida resultou na rescisão contratual e na abertura de procedimentos junto aos órgãos de controle.
O que era o projeto Montenegro MKI
O projeto, iniciado em 2023 e estimado em R$ 180 milhões, tinha como meta desenvolver o veículo lançador Montenegro MKI, voltado ao envio de pequenos satélites ao espaço — um nicho estratégico no mercado internacional, hoje dominado por lançadores de baixo custo e rápida integração de cargas leves.
A Finep informou que, dos R$ 41,3 milhões inicialmente transferidos, apenas R$ 16,7 milhões tiveram comprovação documental aceita, apontando dificuldades na gestão administrativo-financeira dos recursos.
Tomada de Contas Especial e possível atuação de TCU e CGU
Além do cancelamento, a Finep determinou a devolução integral dos valores pagos e instaurou Tomada de Contas Especial, procedimento que pode envolver o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União para apuração de responsabilidades.
Em nota, a Akaer afirmou que não pode comentar detalhes por se tratar de iniciativa ligada à segurança nacional, mas declarou atuar com responsabilidade e ética.
Startups relatam atrasos e impacto no ecossistema aeroespacial
Empresas menores que integravam o consórcio relataram atrasos em repasses e dificuldades operacionais desde o início do projeto, afirmando que não participavam da gestão financeira centralizada.
O cancelamento provocou demissões no setor e acendeu alerta sobre os efeitos na credibilidade de futuras iniciativas brasileiras na área espacial, especialmente em projetos que dependem de articulação entre governo, empresas âncoras e startups de base tecnológica.
Por que lançadores de pequeno porte são estratégicos
• Atendem ao mercado crescente de nanosatélites e cubesats
• Reduzem custo e tempo de acesso ao espaço
• Permitem autonomia tecnológica para países emergentes
• Geram cadeia de inovação em engenharia, materiais e software
A interrupção do Montenegro MKI ocorre em um momento em que diversos países disputam esse segmento, visto como porta de entrada para a consolidação de programas espaciais nacionais com menor investimento inicial e maior agilidade operacional.
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