Política

Lula sobe o tom contra presidente do TSE sobre canal no WhatsApp: "Não pode ter lado político"

Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Após celebração em homenagem à padroeira, Lula critica Kassio Nunes Marques e defende imparcialidade do TSE em meio a tensões eleitorais.  |   BNews RN - Divulgação Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Ranyere Fonseca

por Ranyere Fonseca

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Publicado em 12/10/2026, às 14h26



Logo após participar da celebração de Nossa Senhora Aparecida na capela do Palácio da Alvorada nesta segunda-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou publicamente o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. O petista afirmou que o magistrado "não pode ter lado político" após a determinação inicial de suspensão do canal de WhatsApp "Exército do Lula", a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

A declaração amplia o clima de atrito entre a campanha petista e a cúpula da Justiça Eleitoral às vésperas do segundo turno das Eleições 2026.

Veja também: Plenário do TSE deve julgar impasse entre ministros sobre suspensão do canal "Exército do Lula" no WhatsApp

Críticas a decisões conflitantes e ironia sobre "forças armadas digitais"

Ao falar com jornalistas na residência oficial, Lula argumentou que a remoção de canais e conteúdos digitais exige fundamentação técnica e jurídica clara sobre eventuais crimes ou irregularidades:

  • Cobrança por imparcialidade: "Para ele achar que tem que cortar, tem que mostrar qual a ilegalidade que tem. O que não pode é o presidente da Suprema Corte eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o da igualdade de comportamento. Da igualdade de procedimento", disparou o presidente;

  • Queixa de perseguição eleitoral: o mandatário declarou enxergar rigor desmedido contra a sua coligação: "Acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha, isso é visível e já foi denunciado";

  • Ironia com novas ferramentas: Lula rebateu o bloqueio ironizando que ampliará as redes de apoio: "Eu não vou criar só o Exército do Lula, eu vou criar o Exército, a Marinha, a Aeronáutica do Lula no WhatsApp".

Reversão na Corregedoria e reunião de conciliação

O episódio aprofundou divergências internas no tribunal. A ordem monocrática de Nunes Marques atropelou despacho anterior do corregedor-geral eleitoral, Antonio Carlos Ferreira Cueva (Ricardo Villas Bôas Cueva), que havia solicitado prazo para que a defesa do PL organizasse as provas.

Horas depois da ordem de bloqueio da Presidência, Cueva restabeleceu o funcionamento do grupo para envio de mensagens e novos seguidores, remetendo o processo imediatamente ao plenário do TSE com pedido de julgamento urgente em até 24 horas.

Para conter o desgaste institucional e baixar a temperatura entre as campanhas na reta final da disputa, Nunes Marques agendou uma reunião com os coordenadores jurídicos de Lula e de Flávio Bolsonaro nesta terça-feira (13).

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