O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu a alta nos preços da gasolina e do diesel à combinação de fatores internacionais e à atuação de agentes internos. A declaração foi feita nesta quarta-feira (18), durante evento em Brasília, em meio ao aumento dos combustíveis no país.
Segundo o presidente, há setores que se aproveitam do cenário para elevar preços. Ele afirmou que, mesmo com medidas adotadas pelo governo, como a isenção de tributos, os reajustes continuam sendo repassados ao consumidor.
Lula citou a retirada de impostos federais e subsídios como tentativas de conter os aumentos, mas criticou o comportamento de parte do mercado, questionando inclusive a elevação do etanol, que não depende diretamente do petróleo.
Conflitos internacionais pressionam preços
Durante o discurso, o presidente relacionou a alta dos combustíveis a tensões geopolíticas e ao impacto global no preço do petróleo. Ele mencionou conflitos envolvendo grandes potências como fator determinante para a disparada dos valores.
Lula também fez críticas à atuação dos países membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), citando Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, apontando que decisões desses países impactam diretamente a economia global.
Ele ainda fez referência a episódios recentes envolvendo Donald Trump e tensões com o Irã, destacando que conflitos armados elevam o preço do barril de petróleo em todo o mundo.
Governo reage e mira setor de fretes
Em meio à pressão de caminhoneiros, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou medidas para reforçar a fiscalização no setor.
A proposta prevê a suspensão do registro de contratação de frete para empresas que descumprirem a legislação vigente, ampliando o controle sobre as operações.
O governo também pretende implementar um sistema de monitoramento eletrônico, desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), para acompanhar em tempo real os fretes realizados no país.
Pandemia e mercado entram na conta
O presidente também citou a pandemia de COVID-19 como um período em que houve distorções de mercado, com agentes econômicos lucrando em meio à crise sanitária.
Para Lula, a combinação de fatores externos, como guerras, e internos, como práticas abusivas, ajuda a explicar a escalada dos preços dos combustíveis no Brasil.
As declarações ocorrem em um momento de atenção do governo sobre o impacto da alta no custo de vida e na cadeia produtiva, especialmente no transporte de cargas e no abastecimento nacional.