Política
A disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte ganhou um novo capítulo nesta semana após a deputada estadual Isolda Dantas (PT) chamar Allyson Bezerra (União Brasil) de “calango” e desafiá-lo a entregar a senha do celular. O episódio ocorreu durante uma caminhada de campanha ao lado de Cadu de Lula (PT), na terça-feira (20), em Mossoró.
Ao discursar na Avenida Presidente Dutra, Isolda fez referência indireta à investigação da Polícia Federal que atingiu a gestão de Allyson na Prefeitura de Mossoró. A parlamentar contrapôs o candidato do União Brasil a Cadu e afirmou que o petista não teria problemas com investigações.
“Calango, entregue a senha do celular”, declarou a deputada. Em seguida, acrescentou que não estava cobrando a abertura do sigilo bancário, mas queria acesso ao aparelho do adversário. O vídeo do discurso foi publicado pela própria Isolda nas redes sociais.
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Em resposta, Allyson publicou um vídeo no qual acusou os adversários de promoverem uma “campanha do ódio”. O candidato, porém, não respondeu diretamente à cobrança sobre a senha do celular e direcionou sua manifestação ao significado do apelido.
“A boca fala do que o coração está cheio. E o povo está vendo essa campanha do ódio de vocês”, afirmou.
Na sequência, o ex-prefeito associou o calango à resistência do povo sertanejo e às dificuldades enfrentadas no semiárido. Ele descreveu o animal como resistente ao calor e à seca e relacionou essas características à própria trajetória de vida.
“O calango não nasceu em berço de ouro, não. Nasceu no meio da luta e aprendeu que, para viver no meio do sertão, não basta ser forte. Tem que ser valente, ligeiro e ter coragem”, declarou.
Allyson também classificou a provocação como preconceito e pediu apoio eleitoral. “Meu povo, vamos combater o preconceito e mostrar a força de quem é nordestino, potiguar de verdade”, disse. Ao final, incorporou o apelido à campanha e declarou apoio ao número 44, do União Brasil.
O termo “calango” vem sendo usado por adversários para criticar a posição de Allyson na disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A comparação com o animal, que costuma ser visto sobre muros, sugere que o candidato estaria evitando declarar apoio a um dos dois nomes.
A cobrança de Isolda pela senha do celular também remete à Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro para investigar suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos destinados à compra de medicamentos em municípios potiguares, incluindo Mossoró. À época, Allyson era prefeito da cidade e foi alvo de mandado de busca e apreensão.
O candidato nega irregularidades e já afirmou que pediu a retirada do sigilo da investigação. Sobre a apreensão do aparelho, Allyson declarou anteriormente que o celular foi entregue “aberto”, enquanto reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, baseada em relatórios sigilosos da investigação, apontou que policiais federais registraram uma negativa em fornecer a senha durante a operação.
Na resposta divulgada nas redes sociais, Allyson não apresentou esclarecimentos adicionais sobre essa divergência. O episódio passou a integrar a troca de acusações entre os grupos políticos na reta final da campanha estadual.
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