Política
Publicado em 09/01/2026, às 11h59 Malu Machado
O Irã enfrenta um estado de quase isolamento global após o governo bloquear comunicações para conter protestos contra a inflação, resultando em 244 mortes em quatro dias.
As manifestações, que se espalharam por várias cidades, levaram ao corte de internet, interrupção de serviços de telefonia e cancelamento de voos, intensificando a repressão governamental.
O líder supremo Ali Khamenei deslegitimou os protestos, acusando manifestantes de serem mercenários, enquanto a repressão violenta nas ruas aumenta, refletindo a crescente insatisfação da população com a crise econômica.
Nesta sexta-feira (9) o Irã amanheceu em um estado de quase isolamento global, após bloqueio de comunicações pelas autoridades para conter uma onda crescente de protestos populares.
As manifestações, iniciadas em reação à crescente inflação que penaliza a população, se espalharam por diversas cidades, levando o governo a cortar o acesso à internet e interromper serviços de telefonia, além de cancelar voos domésticos e internacionais.
Veja imagens de manifestações:
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O apagão digital se tornou a principal ferramenta de repressão, dificultando a organização dos manifestantes e impedindo a divulgação de imagens e informações para o exterior.
O aiatolá Ali Khamenei utilizou seu discurso para deslegitimar a revolta popular, acusando os manifestantes de agirem como "mercenários de estrangeiros" e vinculando a agitação diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Khamenei alertou que o governo não tolerará ataques a propriedades públicas.
Imagens divulgadas pela televisão estatal iraniana durante a noite de quinta-feira (8) mostraram cenas de violência e destruição, incluindo ônibus, carros e motocicletas em chamas.
Em Rasht, no Mar Cáspio, um jornalista da emissora descreveu a Rua Shariati como "uma zona de guerra", com lojas destruídas. A emissora chegou a acusar a facção opositora Organização dos Mujahedin do Povo (MKO) de orquestrar os tumultos.
Relatos de grupos de direitos humanos, como o Hengaw, indicam que a repressão nas ruas já está violenta. Em Zahedan, área com predominância da minoria balúche, uma marcha de protesto após as orações da sexta-feira teria sido recebida com disparos, resultando em vários feridos.
Embora menores que os protestos de três anos atrás, o regime de Teerã parece mais vulnerável. A crise econômica e a queda na qualidade de vida alimentam a insatisfação, que agora se manifesta em todo o país com relatos de dezenas de mortes.
Com a internet cortada e o líder supremo em rota de confronto direto com os manifestantes e a oposição externa, o Irã entra em um clima de grande tensão e incerteza.
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