Política

Inquérito da suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal é reaberto por Alexandre de Moraes; relembre o caso

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Alexandre de Moraes determina reabertura do inquérito após pedido da PGR para investigar suposta interferência de Bolsonaro na PF  |   BNews RN - Divulgação Wikipédia
Dani Oliveira

por Dani Oliveira

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Publicado em 17/10/2025, às 10h15 - Atualizado às 10h15



O ministro Alexandre de Moraes reabriu o inquérito sobre a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, após solicitação da Procuradoria-Geral da República, que busca aprofundar as investigações sobre o caso.

O inquérito, originado de denúncias feitas por Sergio Moro em 2020, foi encerrado em 2021 sem indícios de crime, mas a nova gestão da PGR considera necessário investigar possíveis conexões com ataques a instituições democráticas.

Com a reabertura, a PGR terá 15 dias para apresentar novas manifestações, e a situação pode impactar outras investigações em andamento no STF, como as relacionadas a fake news e milícias digitais.

Resumo gerado por IA

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (16) a reabertura do inquérito que apura a suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal durante seu mandato.

A decisão ocorre após um pedido formal da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentado na quarta-feira (15), para que as investigações sejam retomadas.

O ministro concedeu um prazo de 15 dias para que o órgão se manifeste novamente sobre o caso e defina as próximas diligências.

O ministro Alexandre de Moraes concedeu um prazo de 15 dias para que o órgão se manifeste novamente sobre o caso e defina as próximas diligências. Imagem gerada por IA.
O ministro Alexandre de Moraes concedeu um prazo de 15 dias para que o órgão se manifeste novamente sobre o caso e defina as próximas diligências. Imagem gerada por IA.

Caso teve origem em denúncia de Sergio Moro
O inquérito foi instaurado em 2020, depois que o então ministro da Justiça, Sergio Moro — hoje senador pelo União Brasil do Paraná —, acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal e em investigações que envolviam familiares do presidente.

Na ocasião, Moro anunciou sua saída do governo alegando que a demissão do ex-diretor-geral da PF, Mauricio Valeixo, teria ocorrido por motivos políticos e sem seu consentimento.

Na ocasião, Moro anunciou sua saída do governo alegando que a demissão do ex-diretor-geral da PF, Mauricio Valeixo, teria ocorrido por motivos políticos e sem seu consentimento. Imagem gerada por IA.
Na ocasião, Moro anunciou sua saída do governo alegando que a demissão do ex-diretor-geral da PF, Mauricio Valeixo, teria ocorrido por motivos políticos e sem seu consentimento. Imagem gerada por IA.

O episódio levou o STF, sob relatoria do ministro Celso de Mello, a autorizar a abertura do inquérito em 27 de abril de 2020.

Em resposta, Bolsonaro negou ter interferido nas apurações e disse que sua preocupação era com a segurança da família, não com investigações internas.

PF havia concluído por ausência de crime
Em 2021, a Polícia Federal finalizou o inquérito sem encontrar indícios suficientes de crime por parte do então presidente. A conclusão levou o então procurador-geral da República, Augusto Aras, a pedir o arquivamento do caso.

No entanto, em maio de 2024, o relator Alexandre de Moraes solicitou à atual gestão da PGR, chefiada por Paulo Gonet, que esclarecesse se manteria o pedido de arquivamento diante de novos fatos e investigações em andamento.

PGR muda de posição e pede reavaliação
Agora, sob o comando de Gonet, a PGR entende que é necessário ampliar o escopo da investigação para “verificar com maior profundidade se houve interferências ou tentativas de interferências nas apurações conduzidas pela PF, mediante uso da estrutura do Estado e obtenção clandestina de dados sensíveis”.

Agora, sob o comando de Gonet, a PGR entende que é necessário ampliar o escopo da investigação para “verificar com maior profundidade". Imagem: Agência Brasil.
Agora, sob o comando de Gonet, a PGR entende que é necessário ampliar o escopo da investigação para “verificar com maior profundidade". Imagem: Agência Brasil.

O documento enviado ao Supremo sugere que a PF avalie possíveis conexões entre os fatos denunciados por Moro e as investigações sobre a organização criminosa acusada de atacar autoridades, o sistema eleitoral e instituições públicas, por meio de espionagem, fake news e uso indevido da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Há necessidade de apurar se houve articulação entre a suposta interferência e outras frentes de ataque às instituições democráticas”, afirma trecho do parecer da PGR.

Cronologia do caso
→ 24 de abril de 2020: Sergio Moro anuncia saída do governo e acusa Bolsonaro de tentar interferir na PF.
→ 27 de abril de 2020: STF autoriza abertura do inquérito, sob relatoria do ministro Celso de Mello.
→ Maio de 2020: Bolsonaro nega interferência e diz que discutia apenas segurança pessoal da família.
→ 2021: PF conclui não haver crime e PGR de Augusto Aras pede arquivamento.
→ 2024: Moraes questiona o novo PGR, Paulo Gonet, sobre manutenção do pedido.
→ Outubro de 2025: Moraes reabre oficialmente a investigação, com nova linha de apuração.

Nomeação de Ramagem e decisão do STF
Após a saída de Moro, Bolsonaro chegou a nomear Alexandre Ramagem — então diretor da Abin e amigo pessoal da família — para assumir a direção-geral da Polícia Federal.

A nomeação, entretanto, foi suspensa por Alexandre de Moraes, que apontou desvio de finalidade na escolha e afirmou que o ato poderia comprometer a autonomia institucional da PF.

Entenda a repercussão política
A reabertura do inquérito reacende um dos temas mais sensíveis do governo Bolsonaro e volta ao centro do debate político em Brasília.

O caso pode ter desdobramentos que alcancem outras frentes de investigação em andamento no STF, como o inquérito das fake news e o das milícias digitais, ambos sob relatoria de Moraes.

A nova posição da PGR também sinaliza maior rigor no exame de possíveis conexões entre o uso da máquina pública e ataques a instituições democráticas.

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