O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quinta-feira (30), em entrevista ao portal Metrópoles, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende implantar uma “cleptocracia” no Brasil. A declaração ocorre em meio ao cenário político que antecede as eleições de 2026 e ao aumento das tensões entre grupos ideológicos.
Cleptocracia (do grego "governo dos ladrões") é um sistema político no qual líderes corruptos utilizam o poder estatal para roubar e explorar a riqueza nacional para ganho pessoal.
Durante a entrevista, Haddad também atacou diretamente o parlamentar, afirmando que ele “só lidou com bandido no governo do pai”, em referência à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ex-ministro relacionou suas críticas a episódios envolvendo instituições públicas durante o governo anterior, citando a atuação de órgãos como a Receita Federal e o Banco Central.
“Durante o governo do pai dele, olha as coisas que aconteceram na Receita Federal. No Banco Central. Mas o que é isso, gente?”, afirmou.
Disputa política e polarização
Pré-candidato do PT ao Governo de São Paulo, Haddad afirmou que o país vive uma disputa entre o campo democrático, que segundo ele é liderado pelo presidente Lula, e forças da extrema-direita. Na avaliação do petista, há espaço para o fortalecimento de uma centro-direita no Brasil, desde que se distancie do bolsonarismo.
“Eu espero que uma centro-direita civilizada volte a crescer no Brasil porque hoje estamos nós de um lado e a extrema-direita de outro”, afirmou.
Ele também criticou o alinhamento político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado como possível adversário nas eleições estaduais, ao afirmar que o gestor apoia o projeto político ligado à família Bolsonaro.
“Não adianta falar que o Tarcísio não é um apoiador do Bolsonaro. Ele é um apoiador do Flávio. Ele quer o Flávio”, declarou.
Críticas à elite e à imprensa
Ao comentar o cenário político, Haddad declarou que setores da elite econômica e parte da imprensa paulista estariam minimizando o impacto do bolsonarismo. Segundo ele, há uma tentativa de relativizar a atuação desse grupo político, o que, em sua avaliação, compromete o debate público.
“Às vezes a elite de São Paulo e uma parte da imprensa ficam tentando tapar o sol com a peneira. Não, não é bem assim. Essa turma é da pesada”, completou.
As declarações reforçam o tom elevado do embate político antecipado para o ciclo eleitoral de 2026, marcado por críticas diretas e disputas narrativas entre lideranças nacionais.