Política
Publicado em 09/04/2026, às 11h04 Malu Machado
A reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados foi marcada por um intenso confronto verbal entre as deputadas Rosana Valle e Erika Hilton, resultando na paralisação dos trabalhos e na expulsão de um visitante, além do registro de um boletim de ocorrência.
As tensões surgiram devido a críticas sobre a condução da comissão, com a oposição acusando-a de priorizar uma 'militância ideológica' em detrimento de pautas essenciais, como o combate à endometriose, e gerando um embate sobre postagens de Hilton que foram consideradas ofensivas por algumas deputadas.
Após o tumulto, a sessão foi encerrada, e parlamentares se mobilizaram para registrar um boletim de ocorrência, enquanto aliados de Hilton consideram levar as declarações de Valle ao Conselho de Ética, em meio a um clima de críticas contínuas sobre a representatividade feminina na comissão.
O clima esquentou na reunião da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (08). Um confronto verbal direto entre as deputadas Rosana Valle (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP) elevou o tom das discussões e paralisou os trabalhos.
O episódio, que começou com divergências ideológicas, terminou com expulsão de visitante e registro de boletim de ocorrência.
A tensão teve início após críticas severas sobre a condução dos trabalhos da comissão. Parlamentares da oposição acusaram o colegiado de focar em uma suposta “militância ideológica”, desfavorecendo pautas consideradas prioritárias, como o combate à endometriose e a ausência da ministra das Mulheres em debates relevantes.
Outro ponto de atrito foi a tentativa da oposição de aprovar uma moção de repúdio contra Erika Hilton por postagens em que ela utilizou o termo “impeCIS”. Deputadas oposicionistas alegaram que a grafia em letras maiúsculas era uma ofensa às mulheres cisgênero. Hilton rebateu, afirmando que as mensagens eram destinadas ao "esgoto da sociedade" que a ataca e ameaça de morte nas redes sociais.
Durante o debate, Rosana Valle criticou a gestão das reuniões e fez uma declaração que gerou reação imediata. A deputada afirmou que, em caso de confronto físico, recorreria à Lei Maria da Penha, alegando que a presidente da comissão “tem a força de um homem”.
A fala foi recebida com profunda indignação pela bancada do PSOL e parlamentares governistas, sendo interpretada como uma provocação transfóbica direcionada à identidade de Erika Hilton.
Veja declaração de Rosana:
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Em contrapartida, a deputada Erika Hilton deixou a cadeira da presidência para rebater as acusações da bancada. Ela afirmou que a colega estaria agindo de forma estratégica para gerar "cortes" e buscar visibilidade nas redes sociais. Sobre a menção ao uso de mecanismos legais, Hilton foi enfática:
O embate saiu do controle quando um visitante nas galerias proferiu ofensas contra a deputada Clarissa Tércio (PP-PE). O deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA) reagiu derrubando o celular do homem e exigindo sua saída.
Diante da escalada da confusão, a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) acionou o Departamento de Polícia Legislativa (Depol) para retirar o agressor.
O episódio não se encerrou no plenário. A sessão foi encerrada antecipadamente para que parlamentares acompanhassem Clarissa Tércio no registro de um boletim de ocorrência.
Aliados de Erika Hilton estudam levar as falas de Rosana Valle ao Conselho de Ética, enquanto o grupo de oposição mantém as críticas à "pauta ideológica" e à falta de representatividade feminina na condução do colegiado.
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