Política

“Cafetões da fé”: Erika Hilton critica líderes religiosos e denuncia enriquecimento com a religiosidade em entrevista ao Roda Viva

Reprodução/Roda Viva
Em entrevista, Erika Hilton dispara contra o fundamentalismo religioso e cobra cumprimento de decisões do STF sobre crimes de homofobia e transfobia  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Roda Viva

Publicado em 31/03/2026, às 11h01   Malu Machado



Em entrevista ao programa Roda Viva, a deputada federal Erika Hilton criticou líderes religiosos que se opõem às pautas LGBTQIA+, chamando-os de 'cafetões da fé' por lucrar com a manipulação da fé dos fiéis, o que evidencia um problema de fundamentalismo religioso no Brasil.

Hilton destacou que figuras religiosas utilizam a estrutura religiosa para enriquecer, citando casos como o Banco Master e líderes da Igreja Batista da Lagoinha, e defendeu que o verdadeiro evangelho não prega ódio, mas sim a conscientização sobre a exploração da fé.

A deputada também denunciou a omissão do Judiciário em relação a ataques transfóbicos, afirmando que muitos casos são arquivados por falta de 'dolo', o que reflete uma dificuldade em aplicar a legislação que protege a comunidade LGBTQIA+, e pediu uma maior responsabilidade das instituições em relação a essas questões.

Resumo gerado por IA

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (30), a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) criticou lideranças religiosas que se opõem às pautas LGBTQIA+. A parlamentar utilizou o termo “cafetões da fé” para descrever aqueles que, segundo ela, lucram com a esperança e o medo dos fiéis.

Eu trato como ‘cafetões da fé’, pessoas que usam do medo e da precariedade e muitas vezes da ausência para enriquecer e manipular o evangelho para o seu prazer. Isso é fundamentalismo, vemos quem se coloca acima do evangelho para propagar ódio”, disse a congressista.

Assista à fala da Deputada:


Críticas ao “Mercado da Fé”

Atual presidente da Comissão da Mulher na Câmara, Erika afirmou que certas figuras utilizam a estrutura religiosa para construir patrimônios familiares. Ela mencionou o caso do Banco Master e de lideranças ligadas à Igreja Batista da Lagoinha, como André Valadão, para ilustrar a mistura entre mercado financeiro e religião.

Essa é uma narrativa daquelas pessoas que querem continuar a enriquecer a sua própria família, a criar patrimônios em cima da fé. Nós vamos ter que tirar desse adormecimento essa parcela da população para entender: olha, se Jesus voltasse amanhã, ele se sentaria conosco”, declarou a deputada.

Erika defendeu que o verdadeiro evangelho não prega o ódio e que é preciso despertar a população para o fato de que líderes enriquecem usando a fé alheia.

Embate com o Judiciário e Legislativo

Outro ponto central da entrevista foi a denúncia de “omissão e desprezo” por parte das instituições brasileiras diante de ataques transfóbicos. A congressista declarou que não está se referindo a casos que possam ter outra interpretação, mas a situações graves e abertamente transfóbicas, nas quais há dificuldade de aplicar a legislação. 

Erika Hilton afirmou que o Judiciário muitas vezes ignora a decisão do STF que equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo.

“Há omissão, e há até, eu acho, muitas vezes, um certo desprezo a uma determinação feita pelo Supremo Tribunal Federal. Era importante que o STF não permitisse que alguns órgãos do Judiciário debochassem da sua decisão”, desabafou.

Segundo a congressista, muitos processos são arquivados sob a justificativa de "ausência de dolo", o que dificulta a proteção real das vítimas. Ela comparou a situação aos crimes de racismo, onde a lei também encontra barreiras para ser aplicada efetivamente. “Nós ainda vivemos em uma sociedade profundamente racista e LGBTfóbica, e isso se reverbera no Legislativo e nos tribunais”, concluiu.

Classificação Indicativa: Livre

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