A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, confirmou nesta segunda-feira (23) que deixará o cargo até 4 de abril para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 4 de outubro. Segundo ela, a decisão é definitiva e integra a estratégia do Partido dos Trabalhadores para ampliar a bancada de esquerda no Congresso Nacional.
A declaração ocorreu durante reunião com partidos aliados na sede estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), em Lagoa Nova, na Zona Sul de Natal. Participaram representantes de sete siglas, entre elas:
- Partido Verde (PV)
- Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
- Partido Socialista Brasileiro (PSB)
- Partido Democrático Trabalhista (PDT)
- Rede Sustentabilidade
- e Cidadania, ex-PPS.
O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) integra o grupo político, mas não esteve presente.
Além de confirmar a renúncia, Fátima reiterou que o secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, é o nome escolhido para a sucessão, tanto na eleição indireta para o chamado mandato tampão quanto no pleito regular de outubro.
Comissão vai elaborar plano de governo
Durante o encontro, a governadora solicitou que os partidos indiquem integrantes para uma comissão responsável por elaborar o plano de governo do candidato petista. A coordenação do grupo deverá ficar com a presidente estadual do PT, Samanda Alves.
De acordo com o presidente do Partido Verde, Rivaldo Fernandes, a criação da comissão marca o início formal da construção do programa de gestão.
Fátima defendeu que Cadu Xavier será competitivo e pode chegar ao segundo turno ao vincular sua imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Disputa por vaga ao Senado segue indefinida
Três partidos aliados reivindicaram o segundo nome ao Senado na chapa. O PDT, indicou o ex-senador Jean Paul Prates; o Partido Verde apresentou o nome de Rivaldo Fernandes; e o PSB sugeriu Luizinho Cavalcante, ex-prefeito de Carnaubais.
Não houve definição sobre quem fará dobradinha com Fátima Bezerra na disputa majoritária.
Também permanecem indefinidos o candidato a vice-governador e os quatro suplentes da chapa. Novas reuniões devem ocorrer nas próximas semanas.
Eleição indireta dependerá da Assembleia
Com a saída da governadora, o vice-governador Walter Alves, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), seria o sucessor natural até o fim do mandato. No entanto, ele já declarou que não assumirá o cargo porque pretende disputar vaga de deputado estadual e anunciou apoio à pré-candidatura ao governo do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, do União Brasil.
Diante desse cenário, o Estado deverá realizar eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN). Os 24 deputados estaduais escolherão governador e vice para concluir o mandato, que termina oficialmente em 5 de janeiro de 2027.
No intervalo entre as renúncias e a escolha indireta, o governo poderá ser ocupado interinamente pelo presidente da Assembleia, o deputado estadual Ezequiel Ferreira, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), ou pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, desembargador Ibanez Monteiro da Silva.
Resistências e articulações nos bastidores
Nos bastidores, há resistência de parte dos deputados estaduais ao nome de Cadu Xavier para o governo tampão. Interlocutores avaliam o risco de a oposição assumir o comando do Executivo durante o período eleitoral.
Apesar disso, segundo Rivaldo Fernandes, a governadora mantém a estratégia e afirma estar dialogando com parlamentares, inclusive de campos políticos opostos, para viabilizar o nome do secretário da Fazenda na eleição indireta.