Política
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis revelou ao Ministério Público que o ex-deputado Uldurico Júnior se encontrou com chefes do tráfico na prisão, o que levanta sérias questões sobre a segurança e a corrupção no sistema penitenciário.
Ela também afirmou que, sob orientação do ex-parlamentar, participou de um esquema que resultou na fuga de 16 presos, com um pagamento total de R$ 2 milhões, evidenciando a gravidade da situação e a possível conivência de autoridades.
O caso está sendo investigado pelas autoridades, que buscam confirmar as alegações e determinar a extensão da participação de Uldurico Júnior e outros envolvidos, enquanto o ex-deputado nega as acusações.
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, na Bahia, afirmou ao Ministério Público estadual que o ex-deputado federal Uldurico Júnior teve encontros com chefes do tráfico dentro da unidade prisional. As declarações foram prestadas em acordo de delação premiada firmado no início deste ano.
Segundo o relato, os encontros teriam ocorrido ao menos três vezes e, em uma das ocasiões, o ex-parlamentar teria solicitado a retirada das algemas dos detentos durante a reunião.
Na colaboração, a ex-diretora também descreveu a própria atuação em um esquema que resultou na fuga de 16 presos, registrada em 12 de dezembro de 2024. Ela afirmou que agiu sob orientação do ex-deputado, com quem mantinha um relacionamento, e que houve negociação financeira para viabilizar a fuga.
De acordo com a delação, o valor combinado teria sido de R$ 2 milhões, com pagamento inicial de R$ 200 mil. Parte do dinheiro teria sido entregue em espécie e outra parte por meio de transferências bancárias.
O ex-deputado nega as acusações.
Ainda segundo o depoimento, ele mencionava a existência de um “chefe” que estaria cobrando resultados. A referência teria sido feita ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, que não é investigado no caso e também nega qualquer envolvimento.
Geddel foi ministro da Integração Nacional durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre março de 2007 e março de 2010. À frente da pasta, participou da retomada de obras de infraestrutura consideradas estratégicas, incluindo projetos de irrigação como o Baixio de Irecê e o Salitre, ambos na Bahia.
A ex-diretora relatou que foi indicada ao cargo pelo ex-deputado e assumiu a função em março de 2024. Um dia após o início das atividades, ele teria comparecido ao presídio acompanhado de outras pessoas e solicitado reuniões com lideranças de facções criminosas. Os encontros teriam ocorrido sem a presença dela.
Além das visitas do ex-parlamentar, um ex-assessor ligado a ele também teria ido ao presídio em outras ocasiões para reuniões com os mesmos detentos.
A fuga, segundo o depoimento, teria sido articulada com foco na retirada de um dos internos apontado como liderança do tráfico. O plano teria sido intensificado após o período eleitoral de 2024.
O caso segue sob investigação das autoridades, que apuram a veracidade das informações e a participação dos envolvidos.
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