Os Estados Unidos apresentaram ao Irã uma proposta com 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio, em meio à intensificação das tensões na região. O plano foi revelado em reportagem do The New York Times, publicada nesta terça-feira (24), e envolve temas sensíveis como o programa nuclear iraniano e o desenvolvimento de mísseis.
Segundo a publicação, o documento foi enviado a Teerã por meio do Paquistão, sem confirmação oficial sobre a participação de Israel na elaboração. A proposta inclui um cessar-fogo temporário de 30 dias como estratégia para viabilizar negociações diplomáticas.
Apesar disso, o governo iraniano nega qualquer tratativa em andamento com os norte-americanos, aumentando a incerteza sobre a viabilidade do acordo.
Exigências
Entre os principais pontos do plano está o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares, além da imposição de limites ao alcance e à quantidade de mísseis balísticos.
O documento também prevê a desativação de importantes instalações nucleares iranianas, como Natanz, Isfahan e Fordow, consideradas estratégicas para o enriquecimento de urânio. Outro item sensível envolve o fim do apoio a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah.
Estreito de Ormuz
A proposta inclui ainda a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo.
Nos últimos meses, o Irã tem dificultado a passagem de navios comerciais na região, o que pressiona os preços internacionais e acende alertas sobre possíveis impactos no abastecimento mundial.
A questão do estreito se tornou um dos principais pontos de tensão, com reflexos diretos na economia global.
Declarações
O presidente Donald Trump afirmou que autoridades americanas mantêm contato com Teerã e declarou que o Irã teria concordado em não desenvolver armas nucleares, além de afirmar que o país “não tem mais líderes”.
As declarações contrastam com a posição oficial iraniana, que rejeita qualquer negociação de cessar-fogo com os Estados Unidos.
Paralelamente, segundo a agência Reuters, os EUA avaliam o envio de milhares de soldados ao Oriente Médio e estudam uma possível operação terrestre.
Possível ofensiva
Entre as alternativas analisadas estaria a tomada da ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas, movimento que poderia provocar uma escalada sem precedentes no conflito.
A combinação entre pressão diplomática e preparação militar evidencia um cenário de alta instabilidade, com impactos que podem ultrapassar a região e atingir o equilíbrio geopolítico global.