Política

Embaixador de Cuba acusa Trump de “genocídio” por sanções ao petróleo e diz que ilha vive “guerra não convencional”

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Adolfo Curbelo classifica novas sanções dos EUA como genocídio, afetando a população cubana e seus meios de subsistência  |   BNews RN - Divulgação Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

[email protected]

Publicado em 18/02/2026, às 12h44



O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, classificou como “genocídio declarado” as novas medidas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o comércio de petróleo com a ilha caribenha.

Em entrevista à Agência Brasil, na sede da representação diplomática em Brasília, o diplomata afirmou que as sanções visam privar a população cubana de meios básicos de subsistência.

A nova ordem executiva editada em 29 de janeiro pelo governo norte-americano enquadra Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança de Washington e prevê tarifas comerciais a países que vendam petróleo a Havana. A medida amplia o endurecimento do embargo, iniciado após a Revolução Cubana de 1959.

Segundo Curbelo, a restrição atinge diretamente a geração de energia elétrica, setor altamente dependente de derivados de petróleo. Dados da Agência Internacional de Energia indicam que, até 2023, cerca de 80 por cento da energia consumida em Cuba vinha desse tipo de combustível.

Crise energética e acusação de extermínio

Para o embaixador, impedir a importação de petróleo compromete hospitais, produção de alimentos e transporte. Ele afirmou que, sem energia, o país não consegue manter serviços essenciais e acusou Washington de condenar o povo cubano ao extermínio.

O diplomata declarou que a medida também viola a soberania de outros países ao ameaçar sanções contra nações que comercializem petróleo com Cuba. Segundo ele, embarcações e companhias de seguro já teriam sido alvo de restrições em anos anteriores.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também criticou publicamente a decisão norte-americana e associou a iniciativa a uma tentativa de enfraquecer o regime instaurado após a Revolução Cubana, que estabeleceu o primeiro governo de orientação comunista na América Latina.

Austeridade, apagões e aposta na energia solar

Diante do agravamento da crise energética, o governo cubano adotou medidas de austeridade. De acordo com Curbelo, houve reorganização do trabalho, com priorização de atividades remotas e proteção de serviços considerados essenciais, como hospitais, escolas e residências de pessoas com necessidades médicas específicas.

O embaixador afirmou que Cuba ampliou investimentos em energia solar. No último ano, segundo ele, foram instalados painéis capazes de gerar mil megawatts, elevando a participação da fonte fotovoltaica de 3 por cento para 10 por cento da geração total de eletricidade. Durante o dia, a energia solar já representaria cerca de 40 por cento da produção elétrica.

Mesmo assim, o país ainda enfrenta déficit significativo de geração, associado à falta de combustível e à infraestrutura baseada majoritariamente em usinas termelétricas antigas, cuja modernização é considerada onerosa pelo governo.

Turismo afetado e apelos à solidariedade internacional

Curbelo também destacou impactos sobre o turismo, uma das principais fontes de divisas da ilha. Segundo ele, a escassez de combustível dificulta o abastecimento de aeronaves e compromete o fluxo de visitantes estrangeiros.

O diplomata citou manifestações de apoio internacional, incluindo posicionamentos do Movimento dos Países Não Alinhados e declarações de solidariedade de nações como Rússia, China e México. Ele mencionou doações de alimentos e envio de ajuda humanitária como exemplos de cooperação recente.

Por fim, o embaixador afirmou que Cuba mantém disposição para dialogar com os Estados Unidos, mas reiterou que a soberania e a independência do país são inegociáveis. Segundo ele, o governo cubano está determinado a resistir às sanções e a preservar o que considera direitos fundamentais da nação.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Whatsapp floating

Receba as notificações pelo Whatsapp

Quero me cadastrar Close whatsapp floating