Política

Efeito dominó no Planalto: Lula pode perder até 20 ministros e mergulhar a Esplanada na incerteza eleitoral

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Cerca de 20 ministros do governo Lula devem deixar seus cargos para concorrer nas eleições de 2026, gerando instabilidade política  |   BNews RN - Divulgação © Marcelo Camargo/Agência Brasil
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 22/01/2026, às 13h49



Cerca de 20 ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), devem deixar seus cargos para disputar eleições em 2026, movimento que pode esvaziar a Esplanada dos Ministérios em plena campanha e gerar instabilidade política no núcleo do governo. A apuração é do jornal Folha de S.Paulo.

A estratégia tem como objetivo fortalecer o palanque do presidente nos estados, levando ministros a concorrer a vagas na Câmara dos Deputados, no Senado Federal ou em governos estaduais.

O número considera tanto auxiliares que já manifestaram intenção de concorrer quanto aqueles que ocupam mandatos e podem tentar a reeleição.

Seguindo orientação direta do presidente, ministros que são deputados ou senadores licenciados devem se afastar das pastas para garantir presença ativa nas campanhas regionais e ampliar o apoio eleitoral ao petista.

Núcleo duro ameaçado no Palácio do Planalto

Caso todas as saídas se confirmem, Lula poderá ficar sem parte significativa de seu núcleo duro durante o período mais sensível do calendário eleitoral.

Um dos pedidos diretos feitos pelo presidente foi para que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, do PT, deixe o cargo para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná.

Gleisi é deputada federal licenciada pelo Partido dos Trabalhadores no Paraná e era vista como candidata natural à reeleição na Câmara, mas passou a ser estimulada a concorrer a um cargo majoritário.

Outro nome central é o do ministro da Casa Civil, Rui Costa, também do (PT), que deve se descompatibilizar do cargo para disputar o Senado, embora interlocutores não descartem uma nova candidatura ao Governo da Bahia.

Comunicação e exceções no Planalto

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também deve deixar o cargo, mas com outro papel, comandar a campanha de Lula à reeleição. Diferentemente dos demais, a saída do marqueteiro está prevista apenas para junho.

Entre os ministros do Palácio do Planalto, Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, deve ser um dos poucos a permanecer no cargo, mesmo tendo possibilidade de disputar a reeleição como deputado federal pelo Partido Socialismo e Liberdade em São Paulo (Psol-SP).

Fora do núcleo palaciano, ao menos 12 ministros devem se afastar de suas funções até abril, prazo legal de desincompatibilização antes do início oficial da campanha.

Saídas confirmadas e candidaturas em curso

Entre os nomes que já confirmaram publicamente a saída está Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, do PT, que pretende disputar uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro.

Buscando a reeleição, estão Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, pelo Psol, em São Paulo; e Carlos Fávaro, ministro da Agricultura, pelo Partido Social Democrático (PSD), que deve concorrer ao Senado por Mato Grosso.

Também já declararam intenção de disputar eleições Jader Filho, ministro das Cidades, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB); André de Paula, ministro da Pesca, pelo PSD; Silvio Costa Filho, ministro dos Portos e Aeroportos, do Republicanos; e Waldez Góes, ministro do Desenvolvimento Regional, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Movimentações estratégicas e indefinições

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, do PT, chegou a ser cogitado para disputar a reeleição como deputado federal, mas desistiu da candidatura em dezembro do ano passado.

Entre as movimentações mais recentes, está a da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que deve se filiar ao PSB para disputar o Senado por São Paulo. No mesmo estado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, também é apontada como possível candidata ao Senado.

Ainda em São Paulo, chegou a ser cogitado o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, para disputar o governo estadual, mas a intenção de Lula é mantê-lo como vice na chapa presidencial em 2026, segundo interlocutores.

Lista pode crescer e decisões finais dependem de Lula

Outros ministros também aparecem como potenciais candidatos, entre eles Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos; Camilo Santana, da Educação; André Fufuca, dos Esportes; Wellington Dias, do Desenvolvimento Social; e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, com chances de disputar vagas no Congresso ou governos estaduais.

Há ainda auxiliares que demonstraram interesse em concorrer, mas aguardam deliberação direta com o presidente, como Wolney Queiroz, da Previdência, pelo PDT; e Márcio França, do Empreendedorismo, que pretende disputar o Governo de São Paulo pelo PSB.

Já o ministro dos Transportes, Renan Filho, confirmou que deixará o cargo para disputar o Governo de Alagoas.

Também estão na lista de possíveis saídas Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, do PT; e Luciana Santos, da Ciência e Tecnologia, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Classificação Indicativa: Livre

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