Política

Dino manda PF apurar suspeita de financiamento estrangeiro à candidatura de Flávio

Alejandro Zambrana/STF
Ministro Flávio Dino ordena investigação sobre possível financiamento estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro, que nega irregularidades  |   BNews RN - Divulgação Alejandro Zambrana/STF
Lavínia Manso

por Lavínia Manso

Publicado em 27/10/2026, às 11h24



O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar denúncias de possível financiamento estrangeiro à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro do Partido Liberal (PL). A investigação deverá examinar suspeitas de apoio externo à candidatura e de manipulação de algoritmos nas redes sociais durante a disputa eleitoral brasileira. O parlamentar nega irregularidades.

A decisão ocorre dois dias após o segundo turno, no qual Flávio foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Depois da divulgação do resultado, o senador anunciou que buscaria a Justiça para contestar a eleição.

A abertura do inquérito permitirá reunir informações para esclarecer as denúncias e a eventual participação dos citados. A medida não comprova que houve financiamento irregular nem estabelece responsabilidade sobre os fatos investigados.

Organização americana está entre as frentes de apuração

Uma das linhas da investigação envolve a Rockbridge Network, organização dos Estados Unidos mencionada nas suspeitas de articulação de apoio financeiro à campanha. Os empresários Tallis Gomes e Pedro Sang são apontados como possíveis intermediários dessas conversas.

Caberá à apuração verificar se ocorreram transferências de dinheiro ou outras formas de apoio à candidatura, além de identificar a atuação de cada envolvido nas possíveis tratativas.

Em manifestação anterior, Tallis afirmou integrar a Rockbridge como membro, junto a empreendedores e investidores de diferentes países. Ele declarou não ocupar funções de gestão, direção ou representação da organização, seja no Brasil ou no exterior.

Pagamentos a perfis nas redes também serão investigados

Outra frente deverá apurar se perfis sediados fora do Brasil receberam dinheiro para publicar conteúdos favoráveis a Flávio sobre as eleições. A suspeita envolve mensagens sem identificação dos financiadores ou dos valores pagos.

Entre as publicações citadas estão conteúdos baseados em projeções de plataformas de mercado de previsões. Nesses ambientes, os participantes negociam contratos relacionados à possibilidade de acontecimentos, como resultados eleitorais.

As cotações dessas plataformas refletem as expectativas de quem participa das negociações e não correspondem a pesquisas de intenção de voto. No caso investigado, o questionamento recai sobre o possível pagamento pela divulgação dessas informações durante a campanha.

Dino cita proteção da soberania brasileira

Nos trechos divulgados da decisão, Dino avaliou que os fatos indicariam um avanço dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral. O ministro defendeu que as instituições brasileiras sejam protegidas de pressões externas destinadas a influenciar suas decisões.

As suspeitas relacionadas à Rockbridge já haviam chegado ao STF durante a campanha. Em setembro, o deputado federal Lindbergh Farias, do PT pelo Rio de Janeiro, apresentou uma notícia de fato solicitando a apuração de possível apoio estrangeiro à candidatura.

O pedido mencionava documentos ligados à organização e declarações de Renan Santos, do partido Missão, então candidato à Presidência. A apresentação da denúncia, por si só, não demonstra que as situações relatadas tenham ocorrido.

Constituição restringe recursos estrangeiros a partidos

O artigo 17 da Constituição proíbe que partidos recebam recursos financeiros de entidades ou governos estrangeiros e se subordinem a eles. A análise de uma eventual violação dependerá da identificação da origem, do destino e da natureza do apoio que venha a ser comprovado.

As informações disponíveis não indicam prazo para a conclusão do inquérito. Também não apresentam manifestações específicas de todos os citados sobre a determinação desta terça-feira (27).

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