Política
Publicado em 09/03/2026, às 07h45 Malu Machado
Uma investigação do Ministério Público do Pará revelou um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, que teria utilizado contratos da prefeitura para financiar a compra de bens de luxo, incluindo uma casa de R$ 4 milhões no Ceará.
Documentos indicam que empresas que mantinham contratos com a prefeitura pagaram diretamente por propriedades e despesas pessoais do prefeito, levantando suspeitas de corrupção ativa, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
O prefeito nega as acusações, alegando perseguição política, enquanto o processo enfrenta um impasse jurídico no Supremo Tribunal Federal, que decidirá se a investigação continuará na Justiça do Pará ou será transferida para o STF.
Uma reportagem especial exibida neste domingo (8) pelo programa Fantástico, da TV Globo, revelou detalhes de um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo o prefeito de Ananindeua (PA), Daniel Santos.
Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público do Pará, empresas que mantinham contratos com a prefeitura teriam sido usadas para financiar a aquisição de bens de luxo do gestor.
O mecanismo foi descrito pelos investigadores como uma espécie de “vaquinha da corrupção”, em que fornecedores do município pagariam diretamente por propriedades e despesas pessoais do prefeito.
Um dos principais focos da investigação é uma casa de veraneio avaliada em cerca de R$ 4 milhões, localizada no litoral do Ceará.
De acordo com documentos analisados pelo Ministério Público e apresentados na reportagem, o imóvel foi comprado em nome de uma empresa ligada ao prefeito.
A suspeita é de que cinco empresas e quatro pessoas físicas do Pará tenham contribuído com o pagamento da propriedade. As transferências teriam ocorrido logo após essas empresas receberem pagamentos da Prefeitura de Ananindeua por contratos públicos.
Um caso mostrado na reportagem envolve uma fornecedora de materiais escolares para a Secretaria de Educação do município. Após receber quase R$ 1,5 milhão da prefeitura, a empresa teria transferido R$ 866 mil para pagar uma parcela da casa do prefeito no condomínio de luxo.
Outra empresa que forneceu produtos de limpeza para o município também teria repassado R$ 250 mil para o pagamento do imóvel poucas horas depois de receber recursos da prefeitura.
As investigações também apontam que outros bens de alto valor teriam sido adquiridos com recursos oriundos do mesmo esquema. Entre eles:
Segundo o Ministério Público, diferentes empresas teriam contribuído com parcelas para pagar o avião, cada uma arcando com uma parte do valor total.
Durante uma operação de busca e apreensão realizada no ano passado, investigadores também encontraram relógios de luxo avaliados em mais de R$ 4 milhões, considerados indícios de lavagem de dinheiro.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o desaparecimento do avião particular antes de uma operação policial que pretendia apreendê-lo.
A situação levantou suspeitas de possível vazamento de informações sobre a ação, já que, segundo os investigadores, alguns locais visitados pela polícia já estavam sem documentos e objetos que poderiam ser apreendidos.
O Ministério Público afirma que a evolução patrimonial do prefeito levanta fortes indícios de irregularidades.
Nas eleições de 2024, Daniel Santos declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de cerca de R$ 5 milhões. No entanto, os promotores pediram à Justiça o bloqueio de bens no valor de mais de R$ 130 milhões durante a investigação.
Para os investigadores, os indícios apontam para crimes como:
Segundo o procurador-geral de Justiça do Pará, Alexandre Tourinho, a evolução patrimonial do gestor é considerada “absurda” diante dos valores declarados oficialmente.
Em nota enviada à reportagem, o prefeito Daniel Santos negou as acusações e afirmou que está sendo vítima de perseguição política.
A defesa também tenta transferir o processo para o Supremo Tribunal Federal, alegando que a investigação envolveria a deputada federal Alessandra Haber, esposa do prefeito, que possui foro privilegiado.
O Ministério Público, no entanto, afirma que a parlamentar não é investigada no caso.
O ministro Alexandre de Moraes suspendeu temporariamente o andamento da investigação para analisar um pedido da defesa que solicita a anulação do processo.
A decisão final sobre o futuro da investigação deverá ser tomada pela ministra Cármen Lúcia, que irá decidir se o caso permanece no STF ou retorna à Justiça do Pará.
Enquanto isso, o Ministério Público sustenta que há fortes evidências de um esquema estruturado para desviar recursos públicos destinados a áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
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