Política

Deputada faz alerta sobre movimento Redpill e cobra reação contra discurso de ódio

Reprodução/Assessoria ALRN
Eudiane Macedo destaca que o movimento Redpill se tornou um espaço de hostilidade e ataques sistemáticos às mulheres  |   BNews RN - Divulgação Reprodução/Assessoria ALRN
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 16/03/2026, às 12h52



O avanço de comunidades digitais que propagam misoginia e ataques contra mulheres foi tema de alerta na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), durante sessão plenária realizada nesta quinta-feira (12).

A deputada estadual Eudiane Macedo afirmou que o chamado movimento Redpill tem se transformado em um espaço de disseminação de violência simbólica e incentivo ao ódio contra mulheres.

Integrante da Frente Parlamentar da Mulher e da ProMulher da ALRN, a parlamentar destacou que, apesar de alguns grupos apresentarem o movimento como um “despertar masculino”, muitos ambientes virtuais associados à ideologia se tornaram espaços de hostilidade e ataques sistemáticos.

Segundo Eudiane Macedo, nesses fóruns e comunidades digitais, mulheres são frequentemente retratadas como inimigas, enquanto práticas violentas acabam sendo naturalizadas ou relativizadas, o que contribui para ampliar a cultura de violência de gênero.

Radicalização digital

Durante o pronunciamento, a deputada afirmou que a radicalização observada nesses espaços ultrapassa o ambiente virtual e pode gerar consequências concretas fora da internet.

De acordo com ela, casos de ataques e crimes contra mulheres em diferentes países já foram cometidos por homens influenciados por comunidades misóginas presentes em redes e fóruns digitais.

A parlamentar também chamou atenção para o cenário brasileiro, que já enfrenta índices elevados de violência de gênero. Para ela, permitir que a internet se transforme em um território livre para disseminação de misoginia representa um risco direto à segurança das mulheres.

Propostas 

Diante desse cenário, Eudiane Macedo defendeu a adoção de medidas legais e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da radicalização misógina.

A deputada citou o Projeto de Lei nº 988/2026, de autoria da deputada federal Duda Salabert, em tramitação na Câmara dos Deputados. A proposta pretende tipificar o crime de incitação à misoginia organizada, prevendo punições para grupos e redes que promovam ataques sistemáticos contra mulheres.

No âmbito estadual, a parlamentar informou que protocolou um projeto para criar a Política Estadual de Conscientização e Prevenção à Radicalização Misógina, iniciativa voltada à educação, prevenção e combate à desinformação associada ao movimento Redpill.

Educação e prevenção entre jovens

De acordo com a proposta apresentada na ALRN, a política pública deverá priorizar ações educativas e campanhas de conscientização, especialmente direcionadas ao público jovem.

A ideia é impedir que discursos de ódio disseminados em plataformas digitais se transformem em comportamentos violentos no cotidiano.

Ao finalizar o pronunciamento, Eudiane Macedo pediu atenção e celeridade na análise da proposta pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da ALRN. Para a deputada, enfrentar a misoginia organizada é uma medida urgente diante dos índices de feminicídio registrados no país.

“Defender as mulheres é defender a vida, a dignidade e os direitos humanos”, declarou a parlamentar.

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