Política
A CPMI do INSS irá votar a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para esclarecer possíveis conexões com a 'Farra do INSS', um esquema de descontos ilegais em aposentadorias que afeta milhares de beneficiários.
O pedido, apresentado pelo deputado Marcel Van Hattem, destaca vínculos financeiros entre aliados de Lulinha e empresas envolvidas no esquema, incluindo movimentações suspeitas relacionadas à ADS Soluções e a pessoas ligadas ao PT.
O presidente da CPMI, Carlos Viana, garantiu que todos os requerimentos serão votados separadamente para garantir transparência, enquanto a comissão continua a investigar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social.
A CPMI do INSS deve analisar nesta quinta-feira (4/12) o pedido de convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O anúncio foi feito pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), por meio das redes sociais.
O requerimento foi apresentado pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) e será colocado em votação individual, segundo o senador.
A solicitação tenta esclarecer supostas conexões entre aliados do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e operadores investigados pela “Farra do INSS” — esquema de descontos ilegais em aposentadorias, revelado pelo portal Metrópoles a partir de dezembro de 2023.
O que embasa o pedido de convocação
O requerimento aponta possíveis vínculos financeiros entre pessoas próximas a Lulinha e empresas suspeitas de participar do esquema. Segundo o documento enviado à comissão, a investigação identificou movimentações relacionadas a:
• ADS Soluções — apontada como eixo central do esquema;
• Ricardo Bimbo — coordenador nacional de Tecnologia da Informação do PT;
• João Muniz Leite — contador de Lulinha.
O texto destaca que o contador recebeu um pagamento de Bimbo no mesmo período em que a ADS transferiu milhões de reais para a Datacore, empresa ligada ao dirigente petista.
Embora Lulinha não seja investigado, os autores do requerimento defendem que ele deve esclarecer se tinha conhecimento das relações contábeis envolvendo esses atores ou se sua estrutura financeira teria sido usada, direta ou indiretamente, por operadores da fraude.
O que disse Carlos Viana
Em publicação no X (antigo Twitter), Carlos Viana afirmou que todos os pedidos serão votados separadamente, permitindo que o público acompanhe o posicionamento de cada parlamentar:
Anuncio que incluirei na pauta desta quinta-feira a convocação de Fábio Luís Lula da Silva para depor na CPMI do INSS. E deixo claro: cada requerimento será votado individualmente, para que o Brasil veja, com total transparência, como cada parlamentar votou. A verdade aparecerá no painel. A CPMI não tem lado, não tem medo e não tem dono. Transparência total. Quem não deve, não teme. O Brasil quer respostas”, escreveu.
O colegiado, criado para investigar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social, segue analisando documentos e depoimentos sobre o esquema que atingiu milhares de beneficiários.
Entenda o caso: o escândalo do INSS
A “Farra do INSS” foi revelada em uma série de reportagens do Metrópoles publicadas a partir de dezembro de 2023. As apurações mostraram a existência de:
• descontos não autorizados em aposentadorias e pensões;
• empresas privadas operando sem fiscalização adequada;
• intermediação suspeita de dirigentes políticos e operadores financeiros;
• indícios de lavagem de dinheiro e contratos simulados.
A CPMI busca identificar responsabilidades, rastrear a circulação de recursos e apontar alterações legislativas que possam evitar novas fraudes no sistema previdenciário.
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