Política
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, afirmou nesta quarta-feira (23) que uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Igreja Católica provocou “desconforto” entre integrantes do segmento religioso. A manifestação ocorreu durante entrevista à CNN Brasil.
Na semana passada, durante um encontro com lideranças protestantes, Lula afirmou que a Igreja Católica cresce menos que as denominações evangélicas por não acabar com o celibato. A declaração gerou repercussão entre representantes católicos e motivou manifestações públicas sobre o tema.
Segundo Dom Jaime, a comparação feita pelo presidente colocou lado a lado aspectos religiosos distintos e não contribui para o entendimento no atual contexto. O cardeal também afirmou que a Igreja possui uma disciplina própria, construída ao longo de sua tradição.
Dom Jaime relatou que a declaração também provocou cobranças de setores internos da própria Igreja Católica. Segundo ele, a instituição conseguiu administrar as reações e chegar a um entendimento após a repercussão.
O presidente da CNBB classificou a manifestação de Lula como inadequada para o momento. A entidade, por sua vez, tem defendido durante o período eleitoral a formação da consciência cidadã e o diálogo no processo democrático.
Em outro momento nesta quarta-feira, durante um café com jornalistas na sede da CNBB, Dom Jaime também falou sobre a relação entre religião e política. Sem citar candidatos, afirmou que a utilização da religião para autopromoção política ou defesa de ideologias pode gerar problemas.
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Na avaliação do cardeal, episódios históricos em que política e religião estiveram excessivamente associadas não produziram resultados positivos. Ele defendeu que representantes religiosos atuem como “construtores de pontes de diálogo”.
O primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino, também abordou o assunto durante o encontro com jornalistas. Segundo ele, há risco de confusão quando um candidato é apresentado como alguém escolhido ou ungido por Deus.
Para Dom João Justino, a escolha política deve ocorrer dentro do processo democrático, a partir da apresentação das propostas, da trajetória e dos compromissos dos candidatos.
A CNBB tem mantido uma série de iniciativas relacionadas às eleições de 2026. Em setembro, a entidade publicou conteúdos sobre discernimento católico e responsabilidade dos cristãos diante do processo eleitoral, destacando a importância do diálogo e da análise das propostas.
Durante o café com jornalistas, Dom Jaime Spengler também comentou a participação dos candidatos nos debates eleitorais. Sem citar nomes inicialmente, criticou a ausência de postulantes em encontros destinados à apresentação de propostas.
Segundo o presidente da CNBB, os debates são espaços importantes para que os candidatos apresentem à população seus projetos e compromissos. Ele afirmou que a ausência nesses encontros dificulta o processo de avaliação dos eleitores.
A declaração ocorreu em meio à campanha para as eleições de outubro, nas quais os brasileiros irão escolher presidente, governadores, senadores e deputados.
A CNBB afirma não atuar de forma político-partidária nem defender uma candidatura específica. A entidade tem defendido o diálogo e a formação de uma consciência política e democrática durante o período eleitoral.
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